Concepções, Suicídio e Enfrentamento entre os Indígenas Isolados Suruwaha

Auteurs

  • Palloma Cavalcanti Braga NEPE/UFPE

Résumé

O artigo aborda aspectos antropológicos sobre o entendimento da corporalidade Suruwaha, especificamente relacionados aos processos de suicídio e à compreensão sobre as existências, tendo como pano de fundo os contextos culturais, identitários, bem como, a biodiversidade e o ecossistema em que estes vivem. O modelo analítico leva em conta aspectos geracionais, entre este povo, em cada um deles, a experiência em seu novo habitat cultural onde estes se isolaram desde 1929. As observações vivenciadas no ‘recente’ isolamento vão direcionando a novas visões e cuidados. Importante salientar que neste contexto a natureza e a cultura dialogam em um ritmo não antagônico através de conceitos expressos na língua Suruwaha. Conceitos que são utilizados nas dimensões biológica, cultural e transcendental, presentes na epistemologia deles, o que nos prende a refletir sobre o modelo verificado da abordagem antropológica nas discussões da Antropologia pós-contemporânea.

Aqui será introduzido parte de uma investigação que vem sendo desenvolvida a partir da análise etnológica de dados etnográficos e materiais coletados durante visitas na aldeia Suruwaha no contexto do atendimento de saúde nacional direcionado para os ameríndios do Médio Purus Amazônico. Os resultados visam a ampliar a produção do conhecimento acerca das ontologias ameríndias, bem como, contribuir para o campo da Antropologia da Saúde, necessário no diálogo condizente para melhor adequação dos serviços oferecidos e, em parte, geridos pelas populações indígenas. Vem a fomentar o debate de assuntos que se fazem tão urgentes e necessários, como a proteção das sociedades indígenas num planeta aquecido e pós-pandêmico.

 

Biographie de l'auteur

Palloma Cavalcanti Braga, NEPE/UFPE

Doutorando em Antropologia no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE.

Références

APARÍCIO, Miguel & ARÁUZ, Lorena Campo. 2017. “Jesús tomó timbó: equívocos misioneros en torno al suicidio Suruwaha”. In APARÍCIO, Miguel & ARÁUZ, Lorena Campo (org.): Etnografías del suicidio en América del Sur, pp. 205-228. Quito: Editorial Universitaria Abya Yala.

_________. 2015. As metamorfoses dos humanos em presas do timbó. Os Suruwaha e morte por envenenamento. Revista de Antropologia, vol 58 (2): 314- 344.

_________.2014. Xamanismo Suruwaha e Transformações Amazônica. Revista de Antropologia (Online), vol 6 (2): 503- 525.

ATHIAS, Renato. 2004a. “Corpo, Fertilidade e Reprodução entre os Pankararu”. In MONTEIRO, S. & SANSONE, L. (org.). Etnicidade na América Latina: um debate sobre raça, saúde e direitos reprodutivos, pp. 189-208. Rio de Janeiro: Fiocruz.

________.2004b. “Índios, Antropólogos e Gestores de Saúde no âmbito dos Distritos Sanitários Indígenas”. In LANGDON, E. & GANELO, L. (org.). Saúde de Povos Indígenas: reflexões sobre Antropologia Participativa, pp. 217-232. Rio de Janeiro: Contra-Capa; ABA.

________.1998. Doença e Cura: sistema médico e representação entre os Hupdë-maku da região do rio negro, Amazonas. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 4, n. 9: 237-261.

BARTH, Fredrik. [1969] 2000. “Grupos Étnicos e suas Fronteiras”. In BARTH, Fredrik. O Guru, o Iniciador e outras variações antropológicas, pp. 25-67, Rio de Janeiro: Contra Capa.

________.1995. “Grupos Étnicos e suas Fronteiras”. In POUTIGNAT, Philippe & STREIFF-FENART, Jocelyne (org.). Teoria da Etnicidade. Seguido de Grupos Étnicos e suas Fronteiras de Fredrik Barth, editora UNESP: São Paulo.

BELAUNDE, Elvira. 2005. El Recuerdo de luna: gênero, sangre y momoria entre los pueblos amazônicos. Lima: Faculdade de Ciências Sociais.

BRAGA, Palloma C. R. 2010. Corpo, saúde e reprodução entre os índios Fulni-ô. Dissertação de mestrado: Programa de Pós-graduação em Antropologia, Universidade Federal de Pernambuco.

CROCKER, C. Vital Souls. 1985. Bororo Cosmology, Natural Symbolism and shamanism. The University of California Press.

DAL POZ, João. 2000. Crônica de uma morte anunciada. Do suicídio entre os Sorowaha. Revista de Antropologia (online), vol 43(1): 89-144.

FARMER, Paul. 2013. Ortodoxias desafiadoras: O caminho à frente para a Saúde e os Direitos Humanos, Health and Human Right Jornal.

(Ortodoxias desafiadoras: O caminho à frente para a saúde e os direitos humanos – Health and Human Rights Journal (hhrjournal.org), acessado 22/12/22).

GOW, Peter. 1991. Of Mixed Blood: Kinship and History in Peruvian Amazônia. Oxford: Clarendon Press.

GUZMÁN, M. Antonieta. 1997. Para que la Yuca beba nuestra sangre: trabajo, gênero y parentesco em uma comunidad Quíchua de la Amazônia ecuatoriana. Quito: Abya-yala.

HUBER, Adriana. 2012. Pessoas falantes, espíritos cantores, almas-trovões. História, sociedade, xamanismo e rituais de auto-envenenamento. Tese de doutorado: Universidade de Berna.

JARDIM, C. S. 2009. Os Zuruahã: Socialidade e escatologia. Dissertação de Mestrado: Museu Nacional.

KROEMER, Gunter. 1994. Kunahã Made. O Povo do Veneno. Sociedade e Cultura do Povo Zuruahá. Belém: mensageiro.

_________.1985. Cuxiuara. O Purus dos Indígenas. São Paulo: Edições Loyola.

MARTINS, S. 2003. Aspectos de Gênero Kariri-Xocó Female Embodiment. Trabalho apresentado na V Reunião de Antropologia do Mercosul (RAM), Florianópolis-SC.

MCCALLUM, Cecilia. 1998. “O corpo que sabe- da Epistemologia Kaxinawá para uma Antropologia Médica das Terras Baixas Sul-Americanas”. In ALVES, P & RABELO, M. (Org.). Antropologia da Saúde traçando identidades e explorando fronteiras, pp. 215-245, Rio de Janeiro: Relume Dumará.

OVERING, J. 1999. Elogio do cotidiano: a confiança e a arte da vida social em uma comunidade amazônica. Mana, vol 5 (1): 81- 107.

PORTER, Roy & VIGARELLO, Georges. 2008. “Corpo, Saúde e Doença”. In CORBIN, A.; COURTINE, J. & VIGARELLO, G. (Org.). História do corpo: Da Renascença às Luzes. Petrópolis: Vozes, 2008.

SURRALLÉS, Alexandre. 1999. Au Coeur du Sens. Objectivaton et Subjectivation chez les Candoshi de L´Amazonie Péruvienne. Tesis de Doctorado: Paris, École des Hautes Études em Sciences Sociales.

SUZUKI, Márcia. 2007. Quebrando o silêncio. Um debate sobre infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil. Brasília: Atini - Voz pela Vida.

VIVEIROS DE CASTRO, E. 2002. O nativo relativo. Mana, vol 1 (8): 113-148.

Téléchargements

Publiée

2023-10-13