O Feitio do Santo Daime no Centro Ayahuasqueiro Flor de Jasmim: Uma narrativa fotoetnográfica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2526-3781.2020.245007

Palavras-chave:

rituais, feitio, Santo Daime.

Resumo

O presente ensaio busca descrever – a partir de fotografias obtidas durante pesquisas de campo[1] - o ritual de produção do chá do Santo Daime no Terreiro do Centro Ayahuasqueiro Flor de Jasmim (CAFJ); irmandade religiosa situada em Japaratinga (AL) e norteada pela “Linha da Umbandaime”. O grupo é liderado pela Mãe de Santo Janaína que, junto com seus adeptos, reflorestaram a mata local, cultivaram os jardins - e as “plantas sagradas”-  e erguerem a capelinha do Terreiro no ano de 2007.

Desenvolvem “Trabalhos de Feitio” - voltados à produção do chá -  nos meses dos Santos e Orixás: Iemanjá (Fevereiro), Ogum (Abril), São Miguel Arcanjo (Setembro) e Iansã (Dezembro). O produto do cerimonial – aproximadamente de dois a três litros do Daime – é ofertado às entidades através do “sacrifício vegetal” dos cipós Jagube (Banisteriopsis caapi) e das folhas da Rainha (Psychotria viridis).

Antes do preparo, as plantas são cautelosamente extraídas da mata, representando momento de concentração e respeito. Nesta perspectiva, cipós e folhas são coletados, pensando-se na sua “retirada consciente”. Os participantes revezam-se para cumprir com as atividades indispensáveis, a exemplo da maceração dos Jagubes, do tratamento das folhas da Rainha e do cozimento das panelas nas fogueiras do Terreiro.

Panelas que ficam por três dias em cozimento até a obtenção do Daime concentrado e apurado, assim concebido como um “ouro de chá”, pois conserva as energias dos Santos e dos Orixás homenageados nos Feitios. Quando as panelas esfriam, o sacramento é estocado em garrafas de vidro para ser servido em outras cerimônias do Centro.

 

[1] Pesquisas etnográficas foram realizadas no território durante 09 meses - dentre os anos de 2013 e 2014 – com objetivos de descrição e interpretação dos fenômenos institucionais, simbólicos e terapêuticos imanentes às práticas religiosas do Terreiro. Outras informações contam em: Lira (2016), Lira e Medeiros (2017), Lira e Ferreira (2018).

 

 

Biografia do Autor

Wagner Lins Lira, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Doutor em Antropologia (PPGA/UFPE) e Pós-doutor em Educação (PPGECI/UFRPE/FUNDAJ). Professor Adjunto da Universidade Federal Rural de Pernambuco e Membro do Grupo de Estudos sobre Álcool e Outras Drogas (GEAD/UFPE), do Grupo de Estudos da Transdisciplinaridade, da  Infância e da   Juventude (GETIJ/UFRPE) e do Grupo de Estudos Transculturalismo Crítico, Diversidade Cultural e Educação (GTRANSCRI/UFRPE). 

Referências

LIRA, Wagner Lins. Daqui nós tira um ouro de chá! Umbanda, Santo Daime e Xamanismo Popular no tratamento religioso de patologias físicas, mentais e espirituais: O caso de um Terreiro alagoano. Tese (Doutorado em Antropologia), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2016.

LIRA, Wagner Lins; MEDEIROS, Bartolomeu Tito Figueiroa. “Atabaques no Terreiro de Mãe Jana: O Centro Ayahuasqueiro Flor de Jasmim e seus processos simbólicos e institucionais”. In: REIA Online, vol. 04, n° 02, Recife, 2017, p. 150-174. Disponível em: https://bit.ly/3aHirTs. Acesso: 14 de abril de 2020.

LIRA, Wagner Lins; FERREIRA, Hugo Monteiro. “Crianças do Astral: A infância no Centro Ayahuasqueiro Flor de Jasmim”. In: Caderno Eletrônico de Ciências Sociais Online, vol. 06, n° 02, Vitória, 2018, p.07-31. Disponível em: https://bit.ly/2wYNgnJ. Acesso: 14 de abril de 2020.

Publicado

2020-08-27

Edição

Seção

Ensaios Fotográfico