Muito além do abandono: infâncias perigosas e a “justiça tutelar” em Pernambuco (1888-1892)

Gabriel Navarro Barros

Resumo


O presente artigo busca compreender a atuação da justiça tutelar diante do universo de meninas e meninos compreendidos pelo Estado como “potencialmente perigosos”, em Pernambuco, entre os anos 1888 e 1892. Analisando fontes jurídicas e jornais, sugerimos uma reflexão acerca da excessiva utilização do conceito de abandono. Nosso estudo permite a compreensão de uma diversidade de categorias de infantes na época, reconhecidas pela justiça (especialmente pelos Juízes de Órfãos) e por instituições assistenciais a fim de identificar uma variedade de meninos e meninas como “riscos sociais”.


Palavras-chave


Infância; Juízes de órfãos; Filantropia; Tutela

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DOI: https://doi.org/10.22264/clio.issn2525-5649.2018.36.1.05

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