“SERTÃO DAS USINAS”: paisagem cultural canavieira e violência paradigmática do sistema de grandes plantações através do filme pernambucano Baixio das Bestas

Caio Augusto Amorim Maciel

Resumo


O artigo pretende interpretar as representações da paisagem canavieira construídas pelos longametragens nacionais de ficção, objetivando refletir sobre as maneiras pelas quais certos espaços do Nordeste brasileiro adquirem o significado cultural de sínteses regionais.

Tais metonímias geográficas investem-se de grande capacidade de representar um quadro geográfico aceito socialmente, mas também contribuem para a sua redefinição. Investiga-se o papel retórico das paisagens, tomando representações fílmicas e analisando-se a composição de sentidos e valores de uma região cultural por meio da cenografia, locações e técnicas cinematográficas. Compreende-se o cinema enquanto prática social e as imagens por ele produzidas como pontos de atualização entre o imaginário geográfico regional e nacional. A notória produção ficcional de longas-metragens que se reportam ao Nordeste torna evidente a importância imagética e simbólica do “cenário” regional. Apesar da proeminência desse imaginário fílmico, raras películas extrapolam o ideário de sertão. As poucas obras que abordam a região da plantation nordestina justificam análise detalhada acerca da suas concepções de identidade territorial para área tão estudada pela geografia agrária, porém sub-representada na cinematografia nacional.

 

Palavras-chaves: Retórica da paisagem; paisagem cinematográfica; cinema brasileiro; plantation canavieira; Nordeste.


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