A BOTÂNICA COMO MISSÃO PEDAGÓGICA: MANUEL ARRUDA DA CÂMARA E A PECULIARIDADE DE SUAS INTERPRETAÇÕES SOBRE AS ESPÉCIES BRASILEIRAS (1752-1811)

José Otávio Aguiar

Resumo


No artigo, investigamos a obra do naturalista viajante Manuel Arruda da Câmara a partir da leitura analítica dos seus escritos botânicos dedicados aos sertões do Norte das Capitanias da América Portuguesa, durante a transição Colônia-Império. Espero reunir e concatenar vestígios que lancem luz sobre o contexto social e político europeu que impulsionou a corrida pela exploração de recursos naturais favoráveis ao comércio da Coroa Portuguesa, situando as viagens científicas e exploratórias como possíveis aplicações financiadas das concepções do naturalismo-utilitário, influenciadas de perto pelas concepções neofisiocratas, então em voga. Isso nos permitirá detectar a peculiaridade das observações e experiências de Arruda, abrindo campo para futuras investigações sobre inter-relações das sociedades com a natureza dos sertões a partir dos fragmentos de descrições da paisagem natural, de forma a estabelecer um cenário ambiental e humano das Capitanias do Nordeste colonial em fins dos Setecentos e na primeira década dos Oitocentos.

Palavras-Chave: Botânica, História Ambiental, Reformismo Ilustrado


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