“UM OLHO NO ATLÂNTICO, OUTRO NA FRONTEIRA”. Os charqueadores de Pelotas, o comércio de carne-seca e as suas propriedades na fronteira com o Uruguai (século XIX)

Jonas Moreira Vargas

Resumo


O presente artigo analisa o comércio do charque rio-grandense com os portos da Bahia e Pernambuco e os investimentos realizados pelos charqueadores de Pelotas em propriedades rurais tanto na região da campanha sul-rio-grandense, quanto na campanha uruguaia, ao norte do rio Negro. O crescente desenvolvimento do complexo charqueador pelotense nas primeiras décadas do oitocentos fez aumentar a demanda por gado e terras, provocando uma expansão agrária rumo a fronteira sudoeste da província. Tal fenômeno provocou uma série de conflitos que desencadearam duas intervenções militares do Exército brasileiro em Montevidéu (1851 e 1864). Estas guerras foram fundamentais para vencer a concorrência contra os saladeros platinos, além de manter os altos níveis de comércio do produto entre as décadas de 1850 e 1860.

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