História, memória e sujeito: a narrativa histórica e as reapropriações do sujeito

Marcelo Sousa Neto

Resumo


Nas últimas décadas, o estudo biográfico tem sofrido uma renovação, despertando a atenção de pesquisadores para o estudo do sujeito como possibilidade de pesquisa e tessitura da narrativa histórica. Seguindo essa trilha, propõe-se, no presente escrito, discutir sobre as reapropriações, pela narrativa histórica, das imagens produzidas acerca de Padre Marcos de Araújo Costa, um dos mais importantes políticos do Norte do Império, na primeira metade do século XIX, todavia, lembrado pela historiografia, sobretudo, por seu trabalho como educador. Entende-se, no entanto, que essa memória construída pela historiografia piauiense sobre o Padre como “benemérito educador” não dá conta da complexidade de sua atuação social e política. Esta memória (re)criada, que fabrica e difunde a história sobre esse sujeito, representa uma produção marcada pelo lugar social de seus produtores que, por meio de biografias e crônicas, criaram uma memória escrita que concentra suas discussões apenas no caráter educacional de Padre Marcos. Essa produção construiu uma memória que desloca o referido sujeito da complexidade que o circundou ao criar, pela história narrada, um espaço de ficção que, mais que descrever, realiza um movimento que (re)cria o sujeito como educador. Esse conhecimento produzido sobre Padre Marcos foi capaz de construir, na narrativa, uma memória que se transmitiu a outros escritos, transformando espaços, atribuindo valores e significados diferentes aos da trajetória por ele percorrida. Portanto, refletir acerca de Padre Marcos, sua atuação política e educacional, bem como das maneiras construídas pela historiografia piauiense para representá-lo e inscrevê-lo como um dos mais proeminentes educadores do século XIX, representam os objetos de análises do presente estudo, que utiliza como suporte teórico os estudos de Michel de Certeau e de Jacques Revel.


Palavras-chave


História; Memória; Narrativa; Piauí; Século XIX

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