A colonização em Mato Grosso como “portão de escape” para a crise agrária no Rio Grande do Sul

João Carlos Barrozo

Resumo


Na década de 1950 a maior parte da população brasileira vivia no campo, numa situação de pobreza material e cultural. Os trabalhadores das grandes propriedades, sem direitos trabalhistas, sofriam exploração extrema. Neste período os trabalhadores e camponeses começaram a se organizar, criando associações. Em alguns lugares surgiram conflitos por direitos trabalhistas e pela posse da terra. No final dos anos 50 e ao longo de 60, eclodiram várias revoltas no campo em Capanema no Paraná, Formoso em Goiás, Porecatu no Paraná, Ligas Camponesas em Pernambuco. Em 1963, contrariando a elite agrária, o governo promulgou o Estatuto da Terra. Os grandes proprietários reagiram expulsando colonos, moradores, agregados. A promulgação do Estatuto da Terra, propunha eliminar o latifúndio improdutivo e remembrar os minifúndios. Esta medida atingiu os colonos minifundiários do sul (RS e SC) provocando uma grande migração para Mato Grosso e Rondônia, onde o Governo e empresários privados organizaram dezenas de projetos de colonização.  Com estas medidas foi viabilizada a modernização da agricultura no sul, e a ocupação das áreas de fronteira em MT e Rondônia.


Palavras-chave


Crise agrária e agrícola; Migração; Colonização

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