A MORTE NO AMBIENTE DOMESTICO: ritos fúnebres no Vale do Paraíba Fluminense Oitocentista (freguesia de Piraí)

Aguiomar Rodrigues Bruno, Geovani Dias Pereira

Resumo


Missas pelas almas, orações, o cortejo fúnebre, o sepultamento: os ritos fúnebres eram vividos na e pela coletividade no século XIX. Tomar parte nesses ritos ajudava a comunidade a lidar com a crise que se desenhava com partida de um de seus membros para o além. Contudo, a preparação para a morte se iniciava na casa do moribundo, antes mesmo de sua partida. Este trabalho pretende analisar como a iminência da morte transformava a casa do doente, um ambiente usualmente doméstico e profano, num espaço heterotópico onde ritos específicos construíam uma atmosfera de exceção. Ali, os limites entre o sagrado e o profano, o público e o privado, se confundiam; a iminência física da morte ressignificava a própria morte, transformando seu caráter desagregador em uma expectativa de transcendência que, aliada à crença de uma boa morte, reconciliava a comunidade consigo mesma e com o divino.

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