A morte no ambiente doméstico: ritos fúnebres no Vale do Paraíba Fluminense Oitocentista (freguesia de Piraí)

Aguiomar Rodrigues Bruno, Geovani Dias Pereira

Resumo


Missas pelas almas, orações, o cortejo fúnebre, o sepultamento: os ritos fúnebres eram vividos na e pela coletividade no século XIX. Tomar parte nesses ritos ajudava a comunidade a lidar com a crise que se desenhava com partida de um de seus membros para o além. Contudo, a preparação para a morte se iniciava na casa do moribundo, antes mesmo de sua partida. Este trabalho pretende analisar como a iminência da morte transformava a casa do doente, um ambiente usualmente doméstico e profano, num espaço heterotópico onde ritos específicos construíam uma atmosfera de exceção. Ali, os limites entre o sagrado e o profano, o público e o privado, se confundiam; a iminência física da morte ressignificava a própria morte, transformando seu caráter desagregador em uma expectativa de transcendência que, aliada à crença de uma boa morte, reconciliava a comunidade consigo mesma e com o divino.


Palavras-chave


Ritos fúnebres; Ambiente Doméstico; Heterotopia; Igreja Católica

Texto completo:

PDF

Referências


ARANHA, Maria L. A.; MARTINS, Maria H. P. A morte. In: ________; ________ (org.). Filosofando: introdução à filosofia. 2ed. São Paulo: Moderna, 1993.

ARIÈS, Philippe. História da morte no Ocidente. Trad. Priscila V. Siqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

BARROS, José D’Assunção. O campo da historia: especialidades e abordagens. 9ed. Petrópolis: Vozes, 2013.

BAYARD, Jean-Pierre. Sentidos oculto dos ritos mortuários: morrer é morrer? São Paulo: Paulus, 1996.

BLOCH, Marc. Apologia da História. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

BRITO, Nercinda P. S. Um olhar historiográfico: morte e doença na historiografia contemporânea. Contraponto. Teresina/PI, nº 1, v. 1, jun/2011.

BRUNO, Aguiomar R.; PEREIRA, Geovani D. A liturgia da boa morte: representações e práticas fúnebres nos testamentos da Freguesia de Piraí/RJ (1830-1850). Bilros – História, Sociedade, Cultura. Fortaleza, v. 4, n. 6, jan.- jun. 2016, pp. 207-233.

BRUNO, Aguiomar R.; PEREIRA, Geovani D. Tractatus de arte et scientia bene moriendi: a literatura pedagógica da morte no interior fluminense oitocentista (freguesia de Piraí). Espacialidades. Vol. 8, n. 1, 2015.

BRUNO, Aguiomar R.; PEREIRA, Geovani D. Nas fronteiras do poder: conflito e emancipação numa província fluminense (século XIX). Revista Semina. V14, nº 2, 2015.

BURCKHARDT, Jacob. A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio. São Paulo: Cia. Das Letras, 2003.

BURKE, Peter. A Escola dos Annales: a revolução francesa da historiografia. 2ed. São Paulo: Unesp, 1991.

CAMPOS, Adalgisa Arantes. As Irmandades de São Miguel e as Almas do Purgatório: culto e iconografia no Setecentos mineiro. Belo Horizonte: C/Arte, 2013.

CAMPOS, Thiago. A força da escravidão ao sul do Rio de Janeiro. In: MUAZE, Mariana; SALLES, Ricardo (org.). O vale do Paraíba e o império do Brasil nos quadros da segunda escravidão. Rio de Janeiro: 7Letras, 2015.

CHIAVENATO, Júlio J. A morte: uma abordagem sociocultural. São Paulo: Moderna, 1998.

COSTA, Célia L. Intimidade versus interesse público: a problemática dos arquivos. Estudos históricos, n, 21, 1998.

DELUMEAU, Jean. Historia do medo no Ocidente (1300-1800): uma cidade sitiada. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales a nova historia. Trad. Dulce Oliveira Amarante dos Santos. São Paulo: EDUSC, 2003.

ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Tradução: Rogério Fernandes. São Paulo: Martins Fontes, 1986.

FEBVRE, Lucien. Combates pela História. Lisboa (Port.): Presença, 1989.

FOUCAULT, Michel. De espaços outros. Estudos avançados. v. 27, n. 79, São Paulo, 2013, pp. 113-122.

GRZYWACZ, José. Nossa senhora do perpetuo socorro, mãe companheira. São Paulo: Paulus, 2016.

MARANHÃO, José Luiz de Souza. O que é morte. São Paulo: Brasiliense, 1985.

MARTINS, Jose de Souza (Org.). A morte e os mortos na sociedade brasileira. São Paulo: Hucitec, 1983.

MICHELET, Jules. O Povo. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

MILLER, Daniel. Trecos, troços e Coisas. Trad. Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

MOLLAT, Michel. Os pobres na Idade Média. Rio de Janeiro: Campus, 1989.

MOTT, Luiz. Cotidiano e vivencia religiosa: entre a capela e o calundu. In: NOVAIS, F.; SOUZA, L. de Mello. (org.). História da vida privada. Vol 1. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

MUAZE, Mariana. Novas considerações sobre o Vale do Paraíba e a dinâmica imperial. In: SALLES, Ricardo (org.). O vale do Paraíba e o império do Brasil nos quadros da segunda escravidão. Rio de Janeiro: 7Letras, 2015.

PAGOTO, Amanda A. Do âmbito sagrado da Igreja ao cemitério público: transformações fúnebres em São Paulo (1850-1860). São Paulo: Arquivo do Estado, 2004.

PERROT, Michelle. Outrora, em outro lugar. In: História da vida privada: da revolução Francesa à Primeira Guerra. Vol. 4. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

PRIORE, Mary Del. Ritos da vida privada. In: NOVAIS, F.; SOUZA, L. de Mello. (org.). Historia da vida privada. Vol 1. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. 5ª ed. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.

REIS, João José. O cotidiano da morte no Brasil oitocentista. In: NOVAIS, Fernando A. (org.).




DOI: https://doi.org/10.22264/clio.issn2525-5649.2017.35.1.al.09

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 .

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

Indexadores:

                    

                                   

 

eISSN: 2525-5649  Av. da Arquitetura, s/n CFCH-10°Andar, CDU - Recife-PE - CEP: 50740-550 Fone:+55(81)2126-8292  editorclio@gmail.com

                                                                                                                                                                         desde 20. Set. 2018  Contador de visitas