Ópio e açúcar: o capitalismo e suas drogas na super exploração dos trabalhadores rurais (Índia e Brasil, séculos XVIII-XIX)

Christine Dabat

Resumo


As consequências, sobre os produtores diretos, da promoção, pelas mesmas potências ocidentais, de drogas – ópio e açúcar – úteis para a acumulação do capital são curiosamente similares, além de óbvias diferenças. Pois, estas substâncias supérfluas e criadoras de dependência resultam de trabalho coagido, em terras roubadas ou sujeitas, para consumo no ultramar. Distintas nos seus efeitos - o açúcar energizava os trabalhadores europeus da Revolução Industrial, enquanto o ópio diminuía a resistência dos chineses à investida colonial – as drogas eram ferramentas dos colonialistas e seus acólitas locais, com alcances intercontinentais, cuja diversidade esconde o denominador comum da mais brutal exploração.


Palavras-chave


Trabalhadores rurais, Índia e Brasil (séc.XVIII-XIX), Ópio, Açúcar

Texto completo:

PDF

Referências


BAUER, Rolf. The Peasant Production of Opium in Nineteenth-Century India. Leiden: Brill, 2019.

BOSE, Sugata. The New Cambridge History of India 111:2 Peasant Labour and Colonial Capital: Rural Bengal Since 1770. Cambridge Histories Online © Cambridge University Press, 2008.

CANÁRIO, Ezequiel David do Amaral. É mais uma scena da escravidão: suicídios de escravos na cidade do Recife, 1850-1888. Recife: EDUFPE, 2012.

CASTRO, Josué de. Sete Palmos de Terra e um Caixão. Ensaio sobre o Nordeste, uma área explosiva. São Paulo: Brasiliense, [1964] 2a ed. 1967.

CHRISTILLINO, Cristiano. A Zona da Mata Pernambucana e a Serra Gaúcha: apontamentos sobre a estrutura fundiária em meados do XIX. Clio. Revista de Pesquisa Histórica, 2012, N. 30.2.

DABAT, Christine Rufino. Moradores de Engenho. Recife: EDUFPE, 2ª ed. 2012.

DALRYMPLE, William. The Anarchy. The Relentless Rise of the East India Company. New York: Bloomsbury Publishing, 2019.

DAVIS, Mike. Holocaustos coloniais. Clima, fome e imperialismo na formação do Terceiro Mundo. Trad. Alda Porto. Rio de Janeiro: Record, 2002.

DROIT, Roger-Pol. L´oubli de l´Inde. Une amnésie philosophique. [1989] Paris: Seuil, 2004.

DUFTY, William. Sugar Blues. Rio de Janeiro: Ground,s.d.

EISENBERG, Peter L. Modernização sem mudança. A indústria açucareira em Pernambuco 1840-1910. Tradução João Maia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa. Mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução Coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017.

FERGUSON, Niall. Empire. How Britain Made the Modern World. Harmondsworth : Penguin Books, 2004.

FERREIRA Filho, José Marcelo Marques. Arquitetura espacial da plantation açucareira no Nordeste do Brasil (Pernambuco, século XX). Recife: EDUFPE, 2020.

FRENCH, John & ROGERS, Thomas. Slavery as a “Sinister Principle” of Authority: Continuities between Slavery and Freedom in the Making of Modern Brazil. Manuscrito gentilmente cedido por Thomas Rogers.

GALLOWAY, J. H. The Sugar Cane Industry. An historical geography from its origins to 1914.Cambridge: Cambridge UP, 1989.

GOMES, Angela de Castro e Regina Beatriz Guimarães Neto. Trabalho escravo contemporâneo: tempo presente e usos do passado. Rio de Janeiro: FGV, 2018.

GUHA, Ranajit. Elementary Aspects of Peasant Insurgency in Colonial India. Foreword by James Scott. Durham and London: Duke University Press, 1999.

KEAY, John. India. A history. New York : Grove Press, 2010.

KEEGAN, John. Uma história da guerra. Tradução Pedro Maia Soares. São Paulo: Cia do bolso, 2006.

KUCZYNSKI, Jürgen. Die Geschichte der Lage der Arbeiter unter dem Kapitalismus. Berlin: Akademie Verlag, 1963.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. Trad. Renata Santini. São Paulo: n-1 Edições, 2018.

MINTZ, Sidney W. Sweetness and Power. The place of sugar in Modern History. New York: Viking Penguin, 1985.

MINTZ, Sidney W. O poder amargo do açúcar. Produtores escravizados, consumidores proletarizados. Recife: EDUFPE, 2010.

MINTZ, Sidney W. Caribbean Transformations. Baltimore: The Johns Hopkins Univ. Press, 1984.

NEWSINGER, John. The Blood Never Dried. A people´s history of the British Empire. London: Bookmark Publications, 2006.

PANIKKAR, Kavalam Madhava (1896-1963). A dominação ocidental na Ásia: do século XV aos nossos dias. Trad. Nemésio Salles. Prefácio de Otto Maria Carpeaux. 2a ed. Rio de Janeiro: Saga, 1969.

PIKETTY, Thomas. Capital et idéologie. Paris: Seuil, 2019.

PLATT, Stephen R. Imperial Twilight. The Opium War and the end of China´s last golden age. New York: Vintage Books, 2019.

POMERANZ, Kenneth & TOPIK, Steven. The World That Trade Created. Society, Culture, and the World Economy. 1400-the Present. Armond, NY/London: M. E. Sharpe, 1999.

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Editora brasiliense, 2008.

ROGERS, Thomas. The deepest wounds. A Labor and Environmental History of Sugar in Northeast Brazil. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 2010. As Feridas Mais Profundas. Uma história do trabalho e do ambiente do açúcar no Nordeste do Brasil. São Paulo: UNESP, 2017.

ROSAS, Suzana Cavani. A questão agrária na sociedade escravista. Recife: PPGH UFPE, 1987.

SIMON, Mateus Samico. As “Matas Imensas, Glória e Coroa de Todos os Bosques do Mundo” e a “Zona-da-Mata”: Sociedades, Paisagens e Recursos Florestais na Colonização do Nordeste (C.A. 1780-1808). Recife: PPGH UFPE, 2014.

THAROOR, Shashi. An Era of Darkness. The British Empire in India. New Dehli: Aleph Book Company, 2016.

TROCKI, Carl A. Opium, Empire and the Global Political Economy. A study of the Asian opium trade. 1790-1950. New York: Routledge, 1999.

TUNZELMANN, Alex von. Indian Summer. The secret history of the end of an empire. New York: Picador, 2007.

WALLERSTEIN Immanuel. L'esclavage américain et l'économie-monde capitaliste. MINTZ Sidney W.(Ed.) Esclave=Facteur de production. Paris: Dunod, 1981.

WALVIN, James. How Sugar Corrupted the World. From slavery to obesity. London: Robinson 2019.

WILSON, Jon. The Chaos of Empire. The British Raj and the Conquest of India. New York: Public Affairs, 2016.




DOI: https://doi.org/10.22264/clio.issn2525-5649.2020.38.2.12

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 .

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

Indexadores:

                    

                                   

 

eISSN: 2525-5649  Av. da Arquitetura, s/n CFCH-10°Andar, CDU - Recife-PE - CEP: 50740-550 Fone:+55(81)2126-8292  editorclio@gmail.com

                                                                                                                                                                         desde 20. Set. 2018  Contador de visitas