Para além dos laços sanguíneos! Redes familiares e de parentesco entre libertos da Costa d’África no Recife Oitocentista

Valéria Gomes Costa

Resumo


Um dos efeitos mais danosos do tráfico atlântico e do comércio cativo nas Américas para os africanos e seus descendentes, foi o dilaceramento de seus laços familiares. Para recuperar tamanho dano, as pessoas reconstruíam seus vínculos afetivos e comunitários, baseadas em vários aspectos: por terem sido embarcadas no mesmo porto e/ou no mesmo navio (malungos); por partilharem o mesmo senhor; por trazerem em suas trajetórias de cativeiro e de liberdade experiências semelhantes; ou ainda por manterem vivas suas lembranças com familiares e parentes na África. Neste artigo buscamos descrever a composição familiar e de parentescos de um grupo de libertos africanos cujas experiências sociais estão localizadas no Recife em meados do século XIX. Para seguir esses indivíduos utilizamos testamentos e inventários post-mortem, registros paroquiais e notas de tabelião. 


Palavras-chave


Africanos libertos; Redes de parentescos; Recife

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