Entre outras estratégias de controle e dominação: Estado, agricultura e colonização na Amazônia Oitocentista

Francivaldo Alves Nunes

Resumo


Este artigo propõe analisar a relação entre os discursos construídos em torno da agricultura e colonização, caracterizados pela moralização da sociedade e a atuação do Estado imperial. Baseado em relatórios governamentais e de expedições, tentamos demonstrar como esses valores, associados à atividade agrícola, exigiram do Estado um desempenho não apenas de manutenção da ordem, mas como instituição promotora de políticas que elevassem os hábitos das populações na Amazônia. A compreensão é que não se tratava de um Estado que se afirmava apenas pelo uso das forças militares, mas que levasse a autoridade do governo ao interior das províncias do Pará e Amazonas, através de ações revestidas de um discurso de promoção da ordem, da modernidade e da civilização.


Palavras-chave


Estado; Amazônia; Século XIX

Texto completo:

PDF

Referências


BASTOS, Aureliano Cândido Tavares. Os males do presente e as esperanças do futuro: estudos brasileiros. São Paulo: Ed. Nacional, 1976.

BASTOS, Aureliano Cândido Tavares. A Província: estudo sobre a descentralização no Brasil. São Paulo: Ed. Nacional, 1975.

BASTOS, Aureliano Cândido Tavares. Cartas do Solitário. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938 [1862].

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro; Bertrand Brasil, 2007.

BRITO, Adilson Júnior Ishihara. “Viva a Liberte”: cultura politica popular, revolução e sentimento patriótico na independência do Grão-Pará, 1790-1824. Dissertação de Mestrado em História, CFCH - UFPE, Recife, 2008.

CARMO, A. G. do. O Estado Moderno e a Agricultura. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908.

COELHO, Geraldo Mártires. Ação e reação na província do Grão-Pará: o conflito político-social de 1823. Dissertação de Mestrado em História, ICHF-UFF, Niterói, 1978.

DI PAOLO, Pasquale. Cabanagem: a revolução popular da Amazônia. Belém: CEJUP, 1985.

FULLER, Claudia Maria. Os Corpos de Trabalhadores: política de controle social no Grão-Pará. Fascículo LH. Laboratório e Departamento de História CFCH, UFPA, Belém, nº. 01, 1999, p. 01-17.

LINHARES, Maria Yedda; SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. História da Agricultura Brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1981.

LOURENÇO, Fernando Antonio. Agricultura Ilustrada e escravismo nas origens da questão agrária brasileira. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001.

MACHADO, André Roberto de Arruda. A difícil tarefa de acomodar a província do Grão-Pará ao Império do Brasil: a atuação dos representantes paraenses no Parlamento do Império do Brasil: 1826-40. In: Almanaque Braziliense, 2007, n.6, p. 115-120.

MACHADO, André Roberto de Arruda. A quebra da mola real das sociedades. A crise política do Antigo Regime português na província do Grão-Pará (1821-25). Tese de Doutorado, FFLCH, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.

MACHADO, André Roberto de Arruda. Em guerra, pela pretensão de “inventar” o Estado Brasileiro do Grão-Pará: 1823 e 1824. Edição Complementar dos Anais do XXIII Simpósio Nacional de História. Londrina: ANPUH, 2005, p. 1-15.

MADER, Maria Elisa Noronha de Sá. Civilização e Barbárie: a representação da nação nos textos de Sarmiento e do Visconde do Uruguai. Tese de Doutorado em História Social, ICHF-UFF, Niterói, 2006.

MATTOS, Ilmar Rohloff de. Construtores e Herdeiros: a trama dos interesses na Construção da Unidade Política. In: Revista Almanack Brasiliense, nº. 01, maio de 2005, p. 8-26.

MATTOS, Ilmar Rohloff de. “Do Império do Brasil ao Império do Brasil”. In: Estudos em Homenagem a Luís Antonio de Oliveira Ramos. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004, p. 727-736.

MATTOS, Ilmar Rohloff de. “O Lavrador e o Construtor: O Visconde do Uruguai e a Construção do Estado Imperial”. In: PRADO, Maria Emília (org.). O Estado como vocação. Idéias e práticas políticas no Brasil oitocentista. Rio de Janeiro: Acess Editora, 1999.

MELO, Evaldo Cabral. O Norte Agrário e o Império: 1871-1889. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

MOREIRA NETO, Carlos de Araújo. Igreja e Cabanagem (1832-1849). In: HOORNAERT, E. História da Igreja na Amazônia. Petrópolis: Vozes, 1992, p. 262-295.

MUNIZ, Palma. Imigração e Colonisação: História e Estatística (1616-1916). Belém: Imprensa Oficial do Estado do Pará, 1916.

PENNA, Domingos Soares Ferreira. O Tocantins e o Anapú. Relatório do Secretário da Província do Pará. Belém, Typ. de Frederico Rhossard, 1864.

RAIOL, Domingos Antonio. Motins Políticos – ou a história dos principais acontecimentos políticos da Província do Pará desde o ano de 1821 até 1835. (3 vols.) Belém: Universidade Federal do Pará, 1970.

RICCI, Magda Maria de Oliveira. História Amotinada: Memórias da Cabanagem. Cadernos do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Belém: UFPA, vol. 12, n. ½, 1993, p. 13-28.

SALLES, Vicente. O negro no Pará: sob o regime da escravidão. Brasília/Belém: Ministério da Cultura/Secretaria de Estado da Cultura/Fundação Cultural do Pará “Tancredo Neves”, 1988.

SILVEIRA, Ítala B. Cabanagem: uma luta perdida. Belém: Secretaria de Estado da Cultura, 1994.

SMITH, T. L. Sistemas agrícolas. In: Revista Brasileira de Geografia. Rio de Janeiro, ano IX, número dois, abril - junho, 1947, p. 159-178.

URUGUAI, Visconde do. “Ensaio sobre Direito Administrativo”. In: CARVALHO, José Murilo de (org.). Visconde do Uruguai. São Paulo: Editora 34, 2002.

VAINFAS. Ronaldo. Francisco de Adolfo de Varnhagen. In: VAINFAS. Ronaldo (organizador). Dicionário do Brasil Imperial (1822-1889). Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 285-286.

WEINSTEIN, Bárbara. A borracha na Amazônia: expansão e decadência. São Paulo: Hucitec, 1993.




DOI: https://doi.org/10.22264/clio.issn2525-5649.2016.34.2.do.06

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 .

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

Indexadores:

                    

                                   

 

eISSN: 2525-5649  Av. da Arquitetura, s/n CFCH-10°Andar, CDU - Recife-PE - CEP: 50740-550 Fone:+55(81)2126-8292  editorclio@gmail.com

                                                                                                                                                                         desde 20. Set. 2018  Contador de visitas