Formação do ambiente rural Sul-Mato-Grossense (1829-1892)

Maria do Carmo Brazil, Elaine Cancian

Resumo


O presente artigo insere-se no campo da história agrária e visa a refletir sobre a organização da sociedade agropastoril nos campos sulinos de Mato Grosso. Na esteira dos caminhos percorridos por Linhares, através dos campos da história econômica e social, procuramos refletir a forma como os campos de localidades como Santana de Paranaíba, Rio Brilhante, Coxim, Corumbá, Campo Grande e, com destaque, Miranda, se tornaram, entre os anos de 1829 e 1892, importantes marcos da expansão da fronteira fundiária voltada para o centro-oeste brasileiro. Como fontes históricas, recorremos aos itinerários sertanistas oitocentistas, relatos memorialísticos e inventários post-mortem, entre outros documentos, reunidos nos arquivos locais e regionais. Tais materiais evidenciam a concentração fundiária, a exclusão social nela inscrita e dela decorrente, e a montagem de um aparato político repressivo e autoritário, procedimentos oligárquicos também inscritos no processo de ocupação das terras sul-mato-grossenses.


Palavras-chave


Ruralidade sul-mato-grossense; Oligarquias agrárias; História agrária

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DOI: https://doi.org/10.22264/clio.issn2525-5649.2016.34.2.do.07

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