Igreja Católica e escravidão

reescrita e usos do passado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2525-5649.2025.268138

Palavras-chave:

Igreja Católica, ultramontanismo, escravidão, usos do passado, século XIX

Resumo

Este artigo examina a relação entre a Igreja Católica e a escravidão a partir de uma perspectiva de longa duração, com ênfase nas categorias de memória, usos do passado e ressignificação da retórica cristã. Desde o século XV, a instituição mobilizou passagens bíblicas e dispositivos normativos para legitimar a escravidão atlântica, integrando-se ao arcabouço ideológico da modernidade colonial. No século XIX, contudo, sob o predomínio do ultramontanismo e diante da ofensiva anticlerical dos governos liberais, a Santa Sé reformulou seu posicionamento. A expansão missionária na África e as disputas imperiais forneceram o contexto para a construção de uma narrativa antiescravista, que silenciava seletivamente sua atuação pretérita. Tal processo evidencia a plasticidade do discurso católico e sua capacidade de adaptação, ao se projetar como agente moral na condenação da escravidão e reposicionar-se no horizonte da modernidade ocidental.

 

Biografia do Autor

Roberta Angélica Quirino Pinto, Universidade de São Paulo

Graduada em Comunicação Social Radialismo pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, Mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).  Atualmente, é doutoranda em História Social pela mesma instituição.

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Publicado

12-12-2025