Entre boatos e memórias
cultura histórica e usos públicos do passado nos discursos antivacinais do século XIX à pandemia de Covid-19
DOI:
https://doi.org/10.51359/2525-5649.2025.268197Palavras-chave:
vacinas, história pública, cultura histórica, negacionismo, covid-19Resumo
Este artigo analisa resistências à vacinação como fenômeno histórico e de História Pública, destacando a permanência de discursos antivacinais do século XIX à pandemia de COVID-19. Desde a introdução da vacina jenneriana, circularam rumores e críticas – religiosas, morais e médicas – que moldaram percepções sociais sobre saúde e ciência. No contexto da COVID-19, esses enunciados foram reatualizados e amplificados pelas redes sociais, instrumentalizados politicamente e associados à disseminação de fake news. A comparação entre fontes históricas, como Gazeta de Lisboa e Correio Braziliense, e produtos contemporâneos de divulgação científica e institucional da Fiocruz: Radis, ENSP, Museu da Vida, evidencia como boatos e memórias coletivas constituem usos do passado que afetam políticas de saúde. Ao articular cultura histórica e comunicação pública da ciência, o estudo demonstra que a memória da vacinação é constantemente reconfigurada, sendo fundamental para enfrentar desinformação e fortalecer a confiança social em práticas de saúde coletiva.
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