A REGRESSÃO AUTÍSTICA E SEU IMPACTO NO DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL

Alcineide José de Souza, Rafaella Asfora Siqueira Campos Lima

Resumo


INTRODUÇÃO: O artigo teve como objetivo geral investigar os efeitos do autismo de regressão no processo de escolarização de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Tendo como base o conceito de regressão descrito por Tamanaha (2014, p.267), “a regressão autística corresponde a um período de desenvolvimento típico seguido de perdas de habilidades previamente adquiridas, especialmente da fala e de interação social”. Os estudos nesta área, apesar de escassos, centram-se na investigação do fenômeno da regressão com o foco de natureza epidemiológica.  Portanto, existe uma necessidade de novos estudos com um olhar voltado para o campo pedagógico. Assim, buscando superar esta lacuna utilizou-se a contribuição de Vygotsky que defendeu que existe um roteiro de desenvolvimento, que em parte é definida pelo processo de maturação do organismo individual humano, mas que através do contato entre os indivíduos, questão essencial, ocorre à aprendizagem e consequentemente o despertar desses processos internos de desenvolvimento, que é conhecido como processos psicológicos superiores, cujas origens segundo Oliveira (2010), devem ser buscadas nas relações sociais entre os indivíduos. Para Vygotsky (2009), a língua é o principal símbolo e que tem duas funções que são: a função de comunicação e a função do pensamento generalizante. Nesta direção, a linguagem é um meio de comunicação social, de expressão e de compreensão. Enquanto que o significado da palavra é a junção de duas funções.  A linguagem, e o pensamento têm origem e trajetórias diferentes e independentes, e que esses dois processos não nascem com os indivíduos, mas, que se desenvolve com o tempo.  Que por volta dos dois anos de idade o pensamento e a linguagem se encontram, e depois deste encontro o pensamento começa a ser verbal e a linguagem, racional. Mas, o que dizer de um grupo de crianças que aproximadamente por volta de 1 a 3 anos de idade, que vinha aparentemente se desenvolvendo dentro do esperado, inesperadamente, começam a regredir em suas habilidades já adquiridas? Sabe-se que este fenômeno é denominado de regressão e acontece com algumas crianças que posteriormente acabam sendo diagnosticadas com TEA. Observa-se que não existe um consenso na literatura sobre causa, definições e prevalência da regressão o que indica que há muito a ser estudado sobre o tema, a fim de descobrir as peculiaridades de modo a favorecer o processo educacional. Essas informações tornam-se necessárias para se superar os problemas existentes na educação escolar, tais como: crianças com TEA fora da escola, ou pior matriculadas e frequentando, porém sendo excluída das atividades e da interação com os outros, esses problemas precisam ser resolvidos; visto que a escola tem um papel importante na sociedade, pois é na escola que o indivíduo se apropria do saber, dos conceitos e valores de forma coletiva, e que interage com outros membros e passam a construir conhecimentos. Sendo importante ressaltar que é na fase escolar que se exige atenção; compreensão; desenvolvimento e entrosamento com os demais, portanto, é nesta fase que as dificuldades causadas pelo TEA se tornam mais evidente, sendo necessárias mediações que auxiliem as crianças a superar suas dificuldades. Fundamentando-se na teoria sócio histórica, a fim de compreender o processo de ensino e aprendizagem e do desenvolvimento da pessoa buscamos algumas respostas para nossas indagações referentes à: como as crianças com TEA podem ser melhores auxiliadas em seu processo de aprendizagem? Em seu artigo Cavalcante e Ferreira (2011), diz que Vygotsky defende que as crianças com deficiência seguem as mesmas leis de desenvolvimento, mas apresentam outro percurso para superar suas limitações, sendo esse percurso qualitativamente distinto. Então para explicar o percurso qualitativamente, Vygotsky criou o conceito de deficiência primária e secundária. Onde a deficiência primária é gerada a partir de problemas de ordem biológica, enquanto que a deficiência secundária é gerada a partir de problemas de origem sociocultural. Visto que, a cultura e suas formas de transmissão são criadas a partir de um padrão de normalidade e isso acaba criando barreiras para as pessoas que não estão dentro deste padrão. Assim, entende-se que mesmo que as leis de desenvolvimento sejam iguais para todas as pessoas, sabe-se que as pessoas são únicas e que possuem necessidades diferenciadas, que no caso das crianças com TEA podem apresentar comprometimento: na interação social; na comunicação verbal e não verbal; no repertório de interesses e atividades, decorrentes de prejuízos biológicos primários que acabam dificultando as interações sociais e consequentemente acarretando déficits secundários posteriores.

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Referências


BACKES, Bárbara; ZANON, Regina Basso; BOSA, Cleonice Alves. A relação entre regressão da linguagem e desenvolvimento sócio comunicativo de crianças com transtorno do espectro do autismo. Brasil, 2013.

BOSA, Cleonice Alves. Autismo: intervenções psicoeducacionais, Rev Bras Psiquiatr. 2006;28(Supl I):S47-53 Porto Alegre: 2006.

CAVALCANTE, Ticia Cassiany Ferro; FERREIRA, Sandra Patrícia Ataíde. Impedimentos cognitivos e a acessibilidade comunicacional na escola: contribuições da teoria de Vygotsky, 2011.

LAMPREIA, Carolina. A regressão do desenvolvimento no autismo: pesquisa e questões conceituais. Revista Educação Especial | v. 26 | n. 47 | p. 573-586, set./dez. 2013.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)