AS SOLICITAÇÕES DE FALTAS AO TRABALHO DOS PROFESSORES(AS) PÚBLICOS(AS) PRIMÁRIOS(AS) EM RECIFE E OLINDA (1860-1870)

Dayana Raquel Pereira de Lima, Adriana Maria Paulo da Silva

Resumo


Este resumo decorre de uma parte da minha dissertação de mestrado, intitulada “Sinais do “desconforto” no exercício da docência pública em Recife e Olinda (1860-1880)”, defendida no programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco, orientada pela professora Adriana Maria Paulo da Silva. No mestrado, entre os anos de 1860 a 1880, foram lidos e sistematizados 20 códices da série Instrução Pública. Deste trabalho, obtivemos 2884 registros, sendo 1614 registros referentes, especificamente, aos professores públicos entre Recife e Olinda: aproximadamente 1233 professores públicos e 381 professores particulares.  Balizando as quantificações dos códices com outras fontes impressas e transcritas, vigentes no período em questão – legislações, regimentos, regulamentos e relatórios da instrução pública; e petições remetidas aos deputados provinciais, sob a guarda do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (APEJE) e da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE), respectivamente – afirmamos que também eram bastante comuns as situações de “afastamentos” dos professores primários públicos das cidades de Recife e Olinda, num período anterior ao da chamada precarização do trabalho docente e num contexto com configurações diferentes (LIMA, 2014). Atualmente, os estudos acerca da educação vinculam o afastamento dos professores de sala de aula à precarização do trabalho docente, isto é, as condições que inviabilizam o satisfatório exercício da docência: jornada de trabalho extensa; excesso de turmas; excesso de alunos por turma; alunos violentos; desvalorização social da profissão e baixos salários, dentre outros, sobretudo inseridas na dinâmica do capitalismo de fins do XX.  Num espaço-tempo escolar diferente em relação ao número de aulas públicas, a carga horária, aos métodos de ensino dos professores, as matérias ensinadas, a frequência dos alunos em sala de aula, os professores também tendiam a se afastarem dos seus locais de trabalho. Os registros indicativos de afastamento- licenciamentos médicos, faltas ao trabalho, substituições de professores e os casos de abandono do magistério- abrangiam a maior parte dos assuntos encontrados e quantificados nos códices da série Instrução Pública. Dentre os assuntos elencados, analisaremos os casos das solicitações de faltas ao trabalho dos(as) docentes públicos(as) primários(as), entre as década de 60 e 70 do XIX. Expediente prático que causou desconfianças por parte dos poderes públicos, sobretudo quando se viram “obrigados” a reorganizar o andamento da instrução pública devido às inúmeras faltas.

Texto completo:

PDF

Referências


ARÓSTEGUI, Julio. A pesquisa histórica: teoria e método. Tradução Andréa Dore. Bauru, SP: Edusc, 2006.

LIMA, Dayana Raquel Pereira de. Sinais do “desconforto” no exercício da docência pública em Recife e Olinda (1860-1880). 2014. 176f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Recife, 2014.

GINZBURG, Carlo “Sinais: raízes de um paradigma indiciário”. In. Mitos, Emblemas e Sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras: 1989.

SILVA, Adriana Maria Paulo da. Processos de construção das práticas de escolarização em Pernambuco, em fins do século XVIII e primeira metade do século XIX. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2007.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)