O ECLIPSE DA ESPIRITUALIDADE NO PROJETO PEDAGÓGICO DA MODERNIDADE

Sidney Carlos Rocha da Silva, Silas Carlos Rocha da Silva, Alexandre Simão de Freitas

Resumo


A intencionalidade do presente trabalho é trazer elementos para repensar a educação na atualidade por meio da emergência da espiritualidade. De forma mais específica, procuramos deixar evidente o quanto os processos educativos ocidentais e modernos, vivenciados sob a esteira de um modelo positivista-reducionista-identitário, vêm negando a espiritualidade enquanto experiência formativa por excelência. A fim de olhar os problemas que afetam o campo pedagógico por outras bases, visamos fazer do binômio educação-espiritualidade uma relação não apenas possível, mas, acima de tudo, necessária. Uma questão que se torna relevante tendo em vista o cenário de crise sem precedentes que vem se instalando nos processos formativos nas últimas décadas. O fato é que a forma de experienciar a educação na atualidade tem gerando impasses, reducionismos e fragmentações que obstaculizam ações pedagógicas coerentes com os princípios que historicamente as orientavam. Dentre os inúmeros efeitos dessa crise ressaltamos o estreitamento, para não dizer esgotamento, na forma de pensar e viver a educação como formação humana. (FREITAS, 2010; ROHR, 2013). Em nossa perspectiva, a pedagogia deixou de colocar em questão os fundamentos sobre os quais se ancoram os processos formativos e, como conseqüência, deixou de perceber que o cenário mais real da situação é que a Educação há muito deixou de ser pensada em relação direta com a espiritualidade. E, apesar de toda sua importância para as filosofias antigas, como já retratou Michel Foucault (2006), Pierre Hadot (1999, 2014), a espiritualidade – entendida aqui como uma experiência formativa de trabalho consigo - não possui valor educativo para as práticas pedagógicas no presente. Em função disso, perguntamo-nos, na esteira de Michel Foucault (2006): por que motivo e por quais razões a experiência da espiritualidade foi desconsiderada e desqualificada no modo como nossa educação ocidental re-fez sua história?

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Referências


FOUCAULT, M. A Hermenêutica do Sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2006. FREITAS, A. S. O cuidado de si como articulador de uma nova relação entre educação e espiritualidade. In: RÖHR, Ferdinand (Org.). Diálogos em Educação e Espiritualidade. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2010.HADOT, P. Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga. São Paulo: E realizações, 2014. RÖHR, F. Educação e Espiritualidade: contribuições para uma compreensão multidimensional da realidade, do homem e da educação. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2013.


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Revista Semana  Pedagógica ISSN 2595-1572 (on line)