Genealogia e pensamentos decoloniais: colonialidade do poder/saber como teoria do assujeitamento

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.51359/2317-5427.2025.268478

Mots-clés :

assujeitamento, colonialidade do poder/saber, processos de subjetivação, sociologia de(s)colonial

Résumé

No presente texto, partimos da perspectiva da teoria do assujeitamento/sujeição presente na obra de Michel Foucault para dialogar/tensionar teoricamente com os processos perpetrados pela crítica da colonialidade do poder/saber presentes na obra de Aníbal Quijano, vistos enquanto processos de subjetivação. Para tanto, o presente ensaio pode ser dividido em duas partes distintas, mas intercambiáveis: a) delinear o que seria uma teoria do assujeitamento/sujeição na obra de Foucault, ao mesmo tempo em que se explicita as ideias de dois grandes filósofos que permitem tecer as aproximações com a crítica da colonialidade quijaniana, quais sejam, Santiago Castro-Gómez e Sueli Carneiro; b) ensejar as limitações conceituais presentes na obra foucaultiana, por um lado, concomitantemente se dá um passo além para pensar como a sociologia de(s)colonial de Quijano é pautada numa ideia central de assujeitamento/sujeição. Utilizamos como base metodológica uma leitura exegética e comparativa dos textos dos autores em questão. Com isso, pudemos explicitar acerca de possíveis influências do filósofo francês na teoria decolonial do sociólogo peruano.

Bibliographies de l'auteur

Guilherme Ribeiro dos Santos Sena, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Graduação em andamento em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e em Ciências sociais. 

Jader Ferreira Leite, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Doutor em Psicologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2008). É professor associado II, vinculado ao Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com atuação na graduação e pós-graduação.

Références

ALTHUSSER, Louis. Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado. São Paulo: Martins Fontes, 1980.

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista brasileira de ciência política, p. 89-117, 2013.

BENEVIDES, Pedro Severiano. Verdade e Ideologia no pensamento de Michel Foucault. ECOS, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, p. 88-101, fev./mai. 2013.

BORGES, Dain. "Inchado, feio, preguiçoso e inerte": a degeneração do pensamento social brasileiro, 1880-1940. Teoria & Pesquisa Revista de Ciência Política, v. 1, n. 47, p. 43-70, 2005.

CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: A construção do outro como não ser como fundamento do ser. São Paulo: Zahar, 2023.

CASTRO, Edgardo. Vocabulário de Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.

CASTRO-GÓMEZ, Santiago. “Ciências sociais, violência epistêmica e o problema da ‘invenção do outro’”. In: Lander, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais, perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 87-95.

CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. Prólogo. Giro decolonial, teoría crítica y pensamiento heterárquico. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. (ogrs.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del hombre editores, 2007.

CAVALLEIRO, Eliane dos Santos. Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil. São Paulo: Contexto, 2023.

DUARTE, Evandro Pizza; DE CARVALHO NETO, Menelick; SCOTTI, Guilherme. Ruy Barbosa e a queima dos arquivos: as lutas pela memória da escravidão e os discursos dos juristas. Universitas Jus, v. 26, n. 2, 2015.

DU BOIS, William Edward Burghardt. As almas do povo negro. São Paulo: Veneta, 2021.

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

DUSSEL, Enrique. Filosofia da libertação: crítica à ideologia da exclusão. São Paulo: Paulus, 1995.

EAGLETON, Terry. Ideología: Una introducción. Buenos Aires: Paidós, 1997.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. São Paulo: Ubu editora, 2020.

FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.

FAUSTINO, Deivison. Frantz Fanon e as encruzilhadas: Teoria, política e subjetividade. São Paulo: Ubu Editora, 2022.

FERREIRA COSTA, Abraão Lincoln. Considerações nietzschianas sobre o corpo: perspectivas filosóficas para além da metafísica e do fisicalismo. PÓLEMOS – Revista de Estudantes de Filosofia da Universidade de Brasília, [S. l.], v. 3, n. 5, p. 9–25, 2014.

FOUCAULT, Michel. Segurança, Território, População: curso no Collège de France (1977-1978). São Paulo: Martins Fontes, 2008.

FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012.

FOUCAULT, Michel. Do governo dos vivos: curso no Collège de France (1979-1980). São Paulo: WMF Martins Fontes, 2014.

FOUCAULT, Michel. História da loucura na Idade Clássica. São Paulo: Perspectiva, 2019.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 3: O cuidado de si. Rio de Janeiro, Paz e terra, 2020.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 1: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Paz e terra, 2021.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2003.

GILROY, Paul. O atlântico negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora 34; Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, Centro de Estudos Afro-Asiáticos, 2012.

HOBSBAWM, Eric. A era dos impérios – 1875-1914. São Paulo: Paz e Terra, 2015.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

JESUS, Alexandro Silva de. Notas sobre a atualidade da ferida colonial. Recife: Titivillu, 2022.

LUGONES, Maria. Rumo a um feminismo descolonial. Revista estudos feministas, v. 22, n. 3, p. 935-952, 2014.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Rámon (eds.). El giro decolonial: reflexiones para una diversid epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007. p. 127-168.

MARTÍN-BARÓ, Ignacio. “Para uma Psicologia da Libertação”. In: Guzzo, Raquel de Souza Lobo & Lacerda Júnior, Fernando. (Orgs), Psicologia Social para América Latina: o resgate da Psicologia da Libertação. Campinas: Alínea Editora, 2011. p. 181-198.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feuerbach, B Bauer e Stirner. Petrópolis: Vozes, 2019.

MBEMBE, Achille. Necropolítica: Biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. São Paulo: N-1 Edições, 2018.

MEMMI, Albert. Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

MIGNOLO, Walter. El pensamiento decolonial: desprendimiento y apertura. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. (ogrs.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del hombre editores, 2007.

MILLS, Charles Wade. O contrato racial. Rio de janeiro: Zahar, 2023.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: Identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 2019.

NUÑEZ, Geni. Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar. São Paulo: Planeta do Brasil, 2023.

PIERONI, Geraldo. Os excluídos do reino: a Inquisição portuguesa e o degredo para o Brasil colônia. Editora Universidade de Brasília, 2000.

QUIJANO, Aníbal. La modernidad, el capital y América Latina nacen el mismo día. Revista del Centro de Educación y Cultura, Lima, n. 10, p. 42-57, enero de 1991a.

QUIJANO, Aníbal. ¿Sobrevivirá América Latina? In: Quijano, Aníbal. Textos de fundación. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 1991b. p. 47-59.

QUIJANO, Aníbal. “La americanidad como concepto o América en el mundo moderno-colonial”. In: Quijano, Aníbal. Textos de fundación. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 1992a. p. 71-82.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad y modernidad/racionalidad. Perú indígena, v. 13, n. 29, p. 11-20, 1992b.

QUIJANO, Aníbal. “Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina”. In: Lander, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais, perspectivas latino-americanas. Colección Sur Sur. Buenos Aires: CLACSO, 2005a. 117-142.

QUIJANO, Aníbal. Dom Quixote e os moinhos de vento na América Latina. Estudos Avançados, v. 19, n. 55, p. 9-31, 2005b.

RAMOS, Alberto Guerreiro. Redução sociológica: introdução ao estudo da razão sociológica. São Paulo: Abu Editora, 2024.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: evolução e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

ROBINSON, Cedric J. Marxismo negro: a criação da tradição radical negra. São Paulo: Perspectiva, 2023.

SEGATO, Rita. Crítica da colonialidade em oito ensaios: e uma antropologia por demanda. Bazar do tempo, 2021.

SENA, Guilherme Ribeiro dos Santos. Colonialidade da biopolítica, saberes eurocêntricos e a genealogia decolonial. Contribuciones a las ciencias sociales, [S. l.], v. 17, n. 7, p. e8136 , 2024.

SHARPE. Christina. No vestígio: negridade e existência. São Paulo: Ubu editora, 2023.

SILVA, Lucas Trindade da. Uma análise comparativa dos conceitos de subalternidade e racialidade. Temáticas, Campinas, SP, v. 23, n. 45, p. 127–154, 2015.

SILVA, Lucas Trindade da. A duplicidade do assujeitamento. Revista de Ciências Sociais, [S. l.], v. 54, n. 1, p. 157-185, 2023.

SPINOZA, Benedictus de. Ética. Belo Horizonte: Autêntica, 2024.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar?. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

VIGOYA, Mara Viveiros. As cores da masculinidade. Experiências internacionais e práticas de poder na Nossa América. Rio de Janeiro: Papéis Selvagens Edições, 2018.

ZIZEK, Slavoj. Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2010.

Publiée

2025-11-27