Os sertões em fogo e a questão agrária
análise de textos jornalísticos de Milton Santos na década de 1950
DOI:
https://doi.org/10.51359/2525-6092.2025.267486Schlagworte:
Milton Santos, Hinterland, formación socioespacial, río ParaguaçuAbstract
A trajetória intelectual de Milton Santos é marcada não só pela sua atuação acadêmica, mas também técnica e jornalística. O objetivo desse trabalho é, portanto, recuperar artigos que Santos publicou no jornal A Tarde, na Bahia, no final dos anos 1950, nos quais trata dos espaços sertanejos do vale do rio Paraguaçu. Para tanto, realizamos uma análise textual da série de artigos nomeada Sertão em fogo, de forma a verificar: o modo como o autor representa os espaços sertanejos; a questão agrária e as relações sociais de produção identificadas; as capacidades de agência dos sujeitos sociais dominados; e a questão ambiental em torno dos modos de apropriação da terra e da natureza. Como resultado, consideramos que há uma indissociabilidade entre os textos jornalísticos e acadêmicos de Santos, além de compreender que o sertão é tratado como um gênero de vida associado ao Semiárido nordestino no qual vige um domínio senhorial que impõe pouca capacidade de ação aos dominados e onde prevalece um meio geográfico de baixo nível técnico, resultando em novos e antigos usos hostis à natureza. Reconhece-se, por fim, um elo entre sertão e cidade como espaços onde os homens lentos elaboram espaços de vida e resistência frente às verticalidades.
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