“Mãos que se entrelaçam para construir o futuro”
narrar e artistar à docência nos devires de uma formação continuada
DOI:
https://doi.org/10.51359/2595-7597.2026.271355Keywords:
cartografia, formação continuada, narrativas docentes, artistagens, filosofia da diferença, ensino de ciênciasAbstract
Este artigo cartografa experiências formativas tecidas entre narrativas e artistagens na formação continuada de professores/as de Ciências da Rede Municipal de João Pessoa (PB). Ao invés de percorrer trilhas lineares e prescritivas, aposta-se em percursos rizomáticos que emergem dos encontros entre corpos, memórias, políticas e desejos. O objetivo consiste em compreender como as narrativas docentes, produzidas por meio de expressões artísticas coletivas, revelam concepções, trajetórias e modos singulares de habitar a docência. Parte-se do pressuposto de que narrar e artistar experiências constitui um ato de resistência e invenção, capaz de tensionar políticas formativas padronizadoras, como a BNCC e a BNC-Formação. A investigação, de natureza qualitativa e descritiva, fundamenta-se nos Estudos Culturais e foi realizada em um encontro formativo com cerca de 90 docentes dos Anos Finais do Ensino Fundamental. A metodologia privilegiou a criação coletiva de produções artístico-narrativas, compreendidas como dispositivos de fabulação e pensamento. As obras revelaram linhas de força múltiplas: colaboração entre pares, diversidade de percursos, afetos partilhados, enfrentamentos cotidianos e metáforas potentes – como árvores, raízes e ramificações – que cartografam vínculos, aprendizagens e devires docentes. Nesse sentido, emergiram discussões sobre a importância de uma ciência crítica e engajada, comprometida com justiça social, ambiental, cultural e científica. Conclui-se que narrar e artistar intensificam o pertencimento e produzem territórios inventivos de formação, aproximando universidade e escola pública. Entre narrativas e artistagens, a docência em Ciências se fabula como campo de criação e resistência.
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