A sabotagem como arte (arteira) para uma docência não-fascista

Autores

  • Mari Teresinha Panni Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Claudia Glavam Duarte Universidade federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.36397/emteia.v9i2.237599

Palavras-chave:

multisseriação, sabotagem, docência, arte-arteira

Resumo

O presente artigo tem por objetivo problematizar a docência de dois professores de uma escola do campo que trabalham com classes multisseriadas. Sabemos que a organização multisseriada escapa do que é estipulado como norma, assim, o modelo seriado age sobre a conduta dos professores dentro da maquinaria educacional impondo normas para as salas de aulas. No entanto, o docente da multisseriada desestabiliza o dispositivo seriado, emergindo dessa forma, um pensamento/ação que faz fissuras a fim de libertar-se ou, quem sabe, ao menos, minimizar a ação das “categorias do Negativo” propostos por Foucault, resultando dessa forma, em uma docência-sabot. Nas práticas de sabotagem surge uma “arte-arteira”, uma docência que permite o devir, que potencializa as relações que permeiam o espaço multisseriado e onde são produzidas forças, que vão de encontro com o que é estabelecido pela maquinaria escolar. Para fazer este estudo, utilizamos ferramentas foucaultianas e deleuzianas para entender como os saberes/fazeres dos docentes se configuram nesse espaço e como é potencializada a falta de formação específica para os professores que atuam em classes multisseriadas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mari Teresinha Panni, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestranda do Programa de pós grauduação em Ciências, química da vida e saúde da UFRGS.

Claudia Glavam Duarte, Universidade federal do Rio Grande do Sul

Professora do Departamento Interdisciplinar -  UFRGS campus litoral norte. Professora dos Programas de pósgraduação em educação científica e teconológica da UFSC e Educação em ciencias, química da vida e saúde UFRGS

Referências

BRITO, Maria dos Remédios de. Entre as linhas da Educação e da diferença. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2015.

CASTRO, Edgardo. Vocabulário de Foucault: um percurso pelos seus temas, conceitos e autores. Trad. de Ingrid Muller Xavier. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

CORAZZA, Sandra. Currículo e Didática da Tradução: vontade, criação e crítica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 41, n. 4, p. 1313-1335, out./dez. 2016.

DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. Diálogos. São Paulo: Escuta, 1998.DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO: etimologia e origem das palavras. Sabotagem. Disponível em: <https://www.dicionarioetimologico.com.br/busca/?q=sabotagem>.

DUARTE, Claudia Glavam; TASCHETTO,Leônidas Roberto. A conversar com estátuas. Currículo sem Fronteiras, v. 14, n. 1, p. 50-61, jan./abr. 2014.

FOUCAULT, Michel. Anti-Édipo: introdução à vida não-facista. In: DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Anti-Édipo. Rio de Janeiro: Hólon Editorial, 1991. Disponível em: <https://pimentalab.milharal.org/files/2012/05/foucault_anti_edipo.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2018.

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas. São Paulo: Martins fontes, 1999.

FOUCAULT, Michel. Os intelectuais e o poder. Conversa entre Michel Foucault e Gilles Deleuze. In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 2000.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade II: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 2001.

FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos II: Ética, Política e Sexualidade -Vol. V. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

GALLO, S. Deleuze & a educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

JANATA, Natacha Eugênia; ANHAIA, Edson Marcos de. Escolas/Classes Multisseriadas do Campo: reflexões para a formação docente. Educação & Realidade. Porto Alegre, vol. 40, n.3,jul./set. 2015.

KOHAN, Walter. Infância. Entre Educação e Filosofia. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

LARROSA, Jorge. Pedagogia profana. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

LARROSA, Jorge. Linguagem e Educação depois de Babel. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

NEGRI, A. Exílio. São Paulo: Iluminura, 2001.

NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

SAMPAIO, Simone Sobral. Foucault e a resistência. Goiânia: Editora da UFG, 2007.

SOUZA, Pedro de. Resistir, a que Será que se resiste? O sujeito feito fora de si. In:Linguagem em (Dis)curso. Tubarão, v. 3, Número Especial, p. 37-54, 2003.

VEIGA-NETO, Alfredo.Olhares. In: COSTA, Marisa Vorraber (org.). Caminhos investigativos: novos olhares na pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

Downloads

Publicado

2018-10-06

Como Citar

Panni, M. T., & Duarte, C. G. (2018). A sabotagem como arte (arteira) para uma docência não-fascista. Em Teia | Revista De Educação Matemática E Tecnológica Iberoamericana, 9(2). https://doi.org/10.36397/emteia.v9i2.237599

Edição

Seção

DOCÊNCIA(S) EM MATEMÁTICA: constituições éticas, estéticas e políticas