Dízimos, ofertas e desafios

Elementos do neopentecostalismo no pro-cesso de financeirização da fé

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/1679-1827.2025.264384

Palavras-chave:

consumo, religião, discurso religioso, neopentecostalismo, mercantilização

Resumo

Objetivo: Entender como os dízimos, as ofertas e os desafios - elementos litúrgicos do culto neopentecostal - podem ser usados para impulsionar o consumo em um processo que envolve a financeirização da fé no Brasil.

Método/abordagem: A coleta de dados foi realizada com base nos paradigmas de pesquisa interpretativa e qualitativa, concentrando-se inicialmente na observação. Também empregou características etnográficas, usando diários de campo e entrevistas em profundidade com fiéis.

Contribuições teóricas/práticas/sociais: O artigo procurou destacar alguns exemplos de práticas padrão no segmento e atividades que reforçam o uso de elementos religiosos para incentivar o consumo, destacando assim a associação entre dinheiro, consumo e fé no contexto brasileiro. O estudo também revela que a combinação de dízimos, ofertas e desafios, aplicados de forma obstinada e constante, configuram-se como elementos catalisadores nos discursos dos pastores para inspirar credibilidade, influenciar e dissuadir os fiéis ao consumo.

Originalidade/relevância: O artigo contribui ao jogar luz sobre as relações entre consumo e fé e na forma como acontece a transformação da experiência religiosa em um bem de consumo.

Biografia do Autor

Thiago Ferreira de Morais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Mestre em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Marcelo de Rezende Pinto, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Doutor e Mestre em Administração pelo CEPEAD/UFMG. Professor do Programa de Pós-graduação em Administração da PUC Minas.

Georgiana Luna Batinga, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Doutora em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Docente do Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Referências

Agarwala, R., Mishra, P., & Ramendra, S. (2018). Religiosity and consumer behavior: a summarizing review. Jour-nal of Management, Spirituality & Reli-gion. DOI https://doi.org/10.1080/14766086.2018.1495098. Disponível em https://journals.scholarsportal.info/details/14766086/v16i0001/32_racbasr.xml. Acesso em 19/09/2022

Almeida, R. B. (2016). Igrejas eletrôni-cas: espetacularização e consumo de bens simbólicos no neopentecostalis-mo. Revista Espaço Acadêmico, 16(180), 26-37. Disponível em https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/29493. Acesso em 08/02/2022

Aristóteles. (2015). Retórica. (Coleção Folha Grandes Nomes do Pensamen-to, v. 1). São Paulo: Folha de São Pau-lo.

Bauer, M. W.; Gaskell, G. (2002). Pesqui-sa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis, RJ: Voz-es.

Belk, R. W., Wallendorf, M., & Sherry, J. (1989). The sacred and the profane in consumer behavior: theodicy on the odyssey. Journal of Consumer Research, 16(1), 1-38. https://doi. org/10.1086/209191. Recuperado em 6 de fevereiro de 2021, de http://www.jstor.org/stable/ 2489299.

Bronsztein, K. P., Falcão, C. C., & Ro-drigues, E. G. (2016). Retóricas de uma fé racional: superação e desejo na reli-gião do consumo. Comunicação & In-formação, 19(1), 37-51. https://doi.org/10.5216/ci.v19i1.35859. Recuperado em 6 de fevereiro de 2021, de https:// revis-tas.ufg.br/ci/article/view/35859/21874.

Burrell, G., & Morgan, G. (1979). Socio-logical paradigms and organizational analysis. London: Heinemann Educati-onal Books.

Campos, L. S. (1997). Teatro, templo e mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópo-lis: Vozes.

Cerqueira, C. (2021). Igreja como parti-do: a relação entre a Igreja Universal do Reino de Deus e o Republicanos. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 36, 107.

Cox, H. (1995). Fire from Heaven: The Rise of Pentecostal Spirituality and the Reshaping of Religion in the Twenty-First Century, Reading, MA: Addison-Wesley.

Cintra, P. L. (2024). O neopentecosta-lismo é neoliberal? Rever – Revista de Estudos da Religião, 24(1), 101-118. DOI https://doi.org/10.23925/1677-1222.2024vol24i1a7. Disponível em https://revistas.pucsp.br/index.php/rever/article/view/65256/45472. Acesso em 10/02/2025.

Denzin, N. K., & Lincoln, Y. S. (2000). The Sage handbook of qualitative research. (3rd Ed.). Thousand Oaks, California: Sage Publication.

Dolbec, P.-Y., Castilhos, R. B., Fonseca, M. J., & Trez, G. (2022). How Estab-lished Organizations Combine Logics to Reconfigure Resources and Adapt to Marketization: A Case Study of Brazilian Religious Schools. Journal of Marketing Research, 59(1), 118–135.

Freston, P. (1993). Protestantismo e políti-ca no Brasil: da constituinte ao impeach-ment. Tese de Doutorado, Universida-de Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil. Recuperado em 14 de feve-reiro 2021, de http://repositorio.unicamp.br/Busca/Download?codigoArquivo=495091.

Galinari, M. M. (2014). Logos, ethos e pathos: “três lados” da mesma moeda. ALFA: Revista de Linguística, 58(2), 257-285. https://doi.org/10.1590/1981-5794-1405-1. Recuperado em 28 de fevereiro 2021, de https://www.scielo.br/j/alfa/a/ybcWBTwY6hxjXrPQw44MtNv/? for-mat=pdf&lang=pt

Haynes, N. (2012). Pentecostalism and the Morality of Money: Prosperity, Inequality, and Religious Sociality on the Zambian Copperbelt. Journal of the Royal Anthropological Institute, 18 (1), 123–39.

Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-tística. (2010). Censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE. Recuperado em 28 de fevereiro de 2021, de https://censo2010.ibge.gov.br/ resulta-dos.html.

Kramer, E. (2005). Spectacle and the staging of power in brazilian neo-pentecostalism. Latin American Pers-pectives, 32(1), 95-120. https://doi.org/10.1177/0094582X04271875.

Leite, L. L. (2008) Religião e marketing pessoal: uma análise da imagem pessoal dos bispos, pastores, obreiros e obreiras da Igreja Universal do Reino de Deus. Dis-sertação de Mestrado, Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, SP, Brasil. Recuperado em 6 de fevereiro de 2021, de http://tede.metodista.br/jspui/bitstream/tede/477/1/Lilian%20 Laurencia.pdf.

Lima, D. N. O. (2007). "Trabalho", "mu-dança de vida" e "prosperidade" entre fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus. Religião & Sociedade, 27(1), 132-155. https://doi.org/10.1590/ S0100-85872007000100007. Recuperado em 6 de fevereiro de 2021, de https://www. sci-elo.br/j/rs/a/HnFzNPPXBfKFwNCR7Xz88JD/?format=pdf&lang=pt.

Machado, M. D. C., & Burity, J. (2014). A Ascensão Política dos Pentecostais no Bra-sil na Avaliação de Líderes Religiosos, 57(3), 601-631.

Maranhão Filho, E. M. A. (2012). “Mar-keting de Guerra Santa”: da oferta e atendimento de demandas religiosas à conquista de fiéis-consumidores. Ho-rizonte, 10(25), 201-232, jan./mar. https://doi.org/10.5752/P.2175-5841.2012v10n25p201. Recuperado em 31 de maio 2022, de http://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/P.2175-5841.2012v10n25 p201/3547.

Mariano, R. (2011). Sociologia do cres-cimento pentecostal no Brasil: um ba-lanço. Perspectiva Teológica, 43(119), 11-36. https://doi.org/10.20911/21768757v43n119p11/2011. Recuperado em 6 de feve-reiro de 2021, de https://perspectiva.faje.edu.br/index.php/ perspectiva/article/view/1028/1449.

Mariano, R. (2014). Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. (5ª ed.). São Paulo: Edições Lo-yola.

Mathras, D., Cohen, A. B., Mandel, N., & Mick, D. G. (2016). The effects of religion on consumer behavior: a con-ceptual framework and research agenda. Journal of Consumer Psychology, 26(2), 298-311. https://doi.org/10.1016/j.jcps.2015.08.001.

McAlexander, J. H., Dufault, B. L., Mar-tin, D. M., & Schouten, J. W. (2014). The marketization of religion: field, capital, and consumer identity. Journal of Consumer Research, 41(3), 858-875. https://doi.org/10.1086/677894.

Mesquita, W. (2007). Um pé no reino e outro no mundo: consumo e lazer en-tre pentecostais. Horizontes Antropoló-gicos. 13(28), 117-144. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71832007000200006. Recuperado em 2 de maio 2022, de https://www.scielo.br/j/ha/a/WPS hgtxb-CRtz8X7JmSzzmPP/?format=pdf&lang=pt.

Minkler, L., Cosgel, M. M. (2004). Reli-gious Identity and Consumption. Eco-nomics Working Papers. Paper 200403.

O'Guinn, T., & Belk, R. (1989). Heaven on earth: consumption at Heritage Village, USA. Journal of Consumer Rese-arch, 16(2), 227-238. https://doi.org/10.1086/209211. Recu-perado em 14 de fevereiro de 2021, de http://www.jstor.org/stable/2489321.

Oliveira, P. L. B. (2017) A espetaculari-zação da fé na Igreja Apostólica Plenitude do trono de Deus. 153 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião), Universidade Presbiteriana Macken-zie, São Paulo.

Orlandi, E. P. (2000). Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campi-nas: Pontes.

Oro, A. P. (2001). Neopentecostalismo: dinheiro e magia. Ilha: Revista de An-tropologia, 3(1), 71-86. Recuperado em 28 de fevereiro de 2021, de https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/ article/view/14957.

Oro, A., & Romera, E. J. (2005). The politics of the Universal Church and its consequences on religion and poli-tics in Brazil. Revista Brasileira de Ciên-cias Sociais, 1.

Paegle, E. G. M. (2013). A “mcdonaldiza-ção’ da fé: o culto como espetáculo entre os evangélicos brasileiros. Tese de Douto-rado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Pew Research Center. (2014). Religião na América Latina: mudança generalizada em uma região historicamente católica. Wa-shington: PRC. Recuperado em 26 de fevereiro de 2021, de https://www.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/7/2014/11/PEW-RESEARCH-CENTER-Religion-in-Latin-America-Portuguese-Overview-for-publication-11-13.pdf.

Rauf, A. A., Prasad, A., & Ahmed, A. (2019). How does religion discipline the consumer subject? Negotiating the paradoxical tension between consum-er desire and the social order, Journal of Marketing Management, 35(5-6), 491-513. https://doi.org/10.1080/0267257X. 2018.1554599.

Rinallo, D., Linda, S., & Maclaran, P. (2012). Consumption and spirituality. New York: Routledge.

Rodrigues, T. K. A., Lima, D. J. S. S. C., Lira, A. M., Rodrigues, R. N. M., & Brandao, L. A. M. (2022). Prosperida-de, fé e salvação: consumo de produ-tos religiosos por consumidores evan-gélicos. Brazilian Journal of Deve-lopment, 8(5), 37363-37381.

Silva, D. E. (2006). A sagração do dinheiro no neopentecostalismo: religião e interesse à luz do sistema da dádiva. Tese de Dou-torado, Universidade Federal de Per-nambuco, Recife, PE, Brasil. Recupe-rado em 20 de outubro de 2020, de https://repositorio.ufpe.br/bitstream/ 123456789/9690/1/arquivo9261_1.pdf.

Silveira Neto, H. C. (2014). Fogueira Santa de Israel e o consumismo religioso. Dissertação de Mestrado, Universida-de Federal da Paraíba, João Pessoa, João Pessoa, PB, Brasil. Recuperado em 20 de outubro de 2020, de https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/ tede/4245/1/arquivototal.pdf.

Souza, A. R. (2011). O empreendedo-rismo neopentecostal no Brasil. Cienci-as Sociales y Religión (Impresso), 13, 13-34.

Veliq, F. (2019). Uma análise bíblica da questão do dízimo e a sua apropriação pelas igrejas neopentecostais.

Downloads

Publicado

2025-06-05

Edição

Seção

Marketing