Máscara, profanação e trabalho indignificante: a fotografia como subjetivação dos engraxates de La Paz
DOI:
https://doi.org/10.34176/icone.v16i2.237985Palavras-chave:
Engraxates de La Paz, Máscara, Fotografia, Profanação, Subjetivação.Resumo
O objetivo deste texto é elaborar uma análise das imagens de capa do jornal Hormigón Armado, parcialmente produzido e escrito por jovens engraxates de La Paz, Bolívia. Os lustrabotas, como são conhecidos pelos locais, são trabalhadores de rua caracterizados por usarem máscaras durante suas jornadas de trabalho, escondendo suas faces e construindo um anonimato coletivo. Considerando as vulnerabilidades que marcam as experiências desses jovens, podemos identificar o trabalho de engraxate não só como considerado indignificante, como também definidor de modos de vida que não importam. Como resposta a essa estratificação social, a máscara denuncia a discriminação sofrida e oferece proteção à identidade pessoal de cada lustrabota. No entanto, esse gesto também proporciona um isolamento desses sujeitos em relação à própria cidade. Em suas fotografias, podemos identificar uma profanação desse dispositivo (AGAMBEN, 2007), o que pode levar a um processo de subjetivação política (RANCIÈRE, 1996).
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