A publicidade-documentário e a construção discursiva do efeito de real em prol da causa LGBTQ
DOI:
https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.238965Palavras-chave:
Publicidade, documentário, engajamento, causa LGBTQ, efeito de real.Resumo
Neste artigo, proponho investigar a publicidade contemporânea sexo-diversa, isto é, com temática LGBTQ, atentando para o modo como ela dá voz e visibilidade às subjetividades e aos corpos queer, que subvertem os padrões de gênero e sexualidade. Em especial, minha ênfase recai sobre a construção e as contradições do que denomino publicidade-documentário, constituída a partir da apropriação e transformação de elementos, linguagens e estéticas dos documentários, com o fim de evocar um "efeito de real" nas propagandas. Como exemplos, foram selecionados os filmes publicitários A mágica de Liniker (2016), Toda mulher vale muito (2016) e Absolutas (2017). As discussões teóricas encontram-se fundamentadas em Iribure (2008), Nichols (2016), Melo (2002), Covaleski (2015), Butler (1993), Rocha (2001), Hoff (2016), Bakhtin (2010), entre outros.Referências
BAKHTIN, M. Questões de literatura e estética: a teoria do romance. 6.ed. São Paulo: Hucitec, 2010.
BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 2005.
BERNARD, S.C. Documentary storytelling: making stronger and more dramatic nonfiction films. 2.ed. Burlington: Elsevier, 2007.
BRAGAGLIA, A.P. (Org.). Ética na publicidade: por uma nova sociedade de consumo. Rio de Janeiro: Multifoco, 2017.
BUTLER, J. Bodies that matter: on the discursive limits of sex. New York: Routledge, 1993.
_____. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CARVALHO, N. Linguagem da publicidade. Recife, Ed. UFPE, 2014.
CHARAUDEAU, P. Discurso das mídias. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2010.
COVALESKI, R. Cinema e publicidade: intertextos e hibridismos. Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2015.
_____. Narrativa como estratégia publicitária para ações de responsabilidade social e de políticas de consumo sustentável. In: CASTRO, M.G.; CAIRES, C.S.; RIBAS, D.; PALINHOS, J. (Eds.). Cartografia das fronteiras da narrativa audiovisual. Porto: Universidade Católica Editora, 2016. p. 60-69.
_____. Responsabilidade, Solidariedade e Sustentabilidade: causas sociais no Cannes Lions Innovation Festival 2015. In: XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2015, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: UFRJ, 2015a.
DIDI-HUBERMAN, G. Quando as imagens tocam o real. Pós, v. 2, n. 4, p. 2014-219, nov. 2012.
DOMINGUES, I. Publicidade de controle: consumo, cibernética, vigilância e poder. Porto Alegre: Sulina, 2016.
DROGUETT, J.G.D.; POMPEU, B. Dicionário técnico de comunicação publicitária: conceitos fundamentais. São Paulo: Cia. dos Livros, 2012.
DURÁN, A. Plumofobia, racismo y discriminación en las apps de ligue gay. Vice, 13/02/2017. Disponível em: http://bit.ly/2CLga7D. Acesso em: 14 nov. 2018.
FARACO, C. Linguagem e diálogo: as idéias linguísticas do Círculo de Bakhtin. São Paulo: Parábola, 2010.
FEENSTRA, R.A. Ética de la publicidad: retos en la era digital. Madrid: Dykinson, 2014.
FELDMAN, I. O apelo realista. Famecos, n. 36, p. 61-68, ago. 2008.
FERREIRA, G.G.T.; TAVARES, F. Natureza líquida: as modelagens marcárias e a publicidade verde. Curitiba: Appris, 2017.
GAUTHIER, G. O documentário: um outro cinema. Campinas, SP: Papirus, 2011.
GOVATTO, A.C.M. Propaganda responsável: é o que todo anunciante deve fazer. São Paulo: Senac, 2007.
HOFF, T. Comunicação publicitária: dos regimes de visibilidade do corpo diferente às biossociabilidades do consumo. In: _____. (Org.). Corpos discursivos: dos regimes de visibilidade às biossociabilidades do consumo. Recife: Ed. UFPE, 2016. p. 19-40.
IRIBURE, A. As representações das homossexualidades na publicidade e propaganda veiculadas na televisão brasileira: um olhar contemporâneo das últimas três décadas. 2008. 309f. Tese (Doutorado em Comunicação e Informação) – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, UFRGS, Porto Alegre, 2008.
JAGUARIBE, B. O choque do real: estética, mídia, cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
LILY, S. Adiós, Chueca – Memorias del gaypitalismo: creando la marca gay. Madrid: Askal, 2016.
LÓPEZ, A.L. Comunicación con sentido: consumo responsable. In: MARTÍN, L.R. (Org.). Publicidad y consumo: nuevas modas, viejas causas y valores sociales. Sevilla: Comunicación Social, 2008. p. 64-85.
MARTÍN REQUERO, M.I. Comunicación con causa: las causas de la publicidad. In: MARTÍN, L.R. (Org.). Publicidad y consumo: nuevas modas, viejas causas y valores sociales. Sevilla: Comunicación Social, 2008. p. 13-41.
MELO, C.T.V. O documentário como gênero audiovisual. Comun. Inf., v. 5, n. 1/2, p. 25-40, jan./dez. 2002.
MUKHERJEE, R.; BANET-WEISER, S. (Eds.). Commodity activism: cultural resistance in neoliberal times. New York: New York University Press, 2012.
NICHOLS, B. Introdução do documentário. Campinas: Papirus, 2005.
_____. Introdução do documentário: nova edição. 6.ed. Campinas: Papirus, 2016.
NOS ALDÁS, E. Lenguaje publicitario y discursos solidarios: eficacia publicitaria, ¿eficacia cultural? Barcelona: Icaria, 2007.
PACHECO RUEDA, M. El discurso disidente de la contrapublicidad verde. Pensar la Publicidad, v. III, n. 1, p. 55-82, 2009.
PENAFRIA, M. O ponto de vista no filme documentário. Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2001. Disponível em: http://bit.ly/2Bfvt8d. Acesso em: 14 nov. 2018.
PONTES, F.; TAVARES, F. Ecosofia das marcas: as três ecologias na publicidade verde. Curitiba: Appris, 2017.
PRECIADO, P.B. Entrevista a Jesús Carrillo. Cadernos Pagu, v. 28, p. 375-405, 2007.
PRINGLE, H.; THOMPSON, M. Marketing social. São Paulo: Makron Books, 2000.
RAMOS, F.P. Mas afinal... o que é mesmo documentário? 2.ed. São Paulo: Senac, 2013.
_____. O que é documentário? In: RAMOS, F.P.; CATANI, A. (Orgs.). Estudos de Cinema SOCINE 2000. Porto Alegre: Sulina, 2001. p. 192-207.
ROCHA, E. A mulher, o corpo e o silêncio: a identidade feminina nos anúncios publicitários. Alceu, v. 2, n. 3, p. 15-39, jul./dez. 2001.
_____. Magia e capitalismo: um estudo antropológico da publicidade. São Paulo: Brasiliense, 1990.
STARK, J. ‘Pink washing’: marketing stunt or corporate revolution? The Sydney Morning Herald, 6 jun. 2015. Disponível em: https://bit.ly/2OLKW6D. Acesso em: 14 nov. 2018.
WEEKS, J. O corpo e a sexualidade. In: LOURO, G.L. (Org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 35-82.
ZENONE, L.C. Marketing social. São Paulo: Thomson Learning, 2006.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2019 Ícone

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NoDerivatives 4.0 International License.
A submissão de originais para a Ícone implica na transferência, pelos autores, dos direitos de publicação impressa e digital. Os direitos autorais para os artigos publicados são do autor, com direitos da revista Ícone sobre a primeira publicação. Os autores somente poderão utilizar os mesmos resultados em outras publicações mediante citação do nome da Ícone como publicação original.
Em virtude do acesso aberto este periódico, permite-se o uso gratuito dos artigos com finalidades educacionais, científicas, não-comerciais, desde que citada a fonte, conforme as diretrizes da licença Creative Commons.
Autores que submeterem um artigo para publicação na revista Ícone, concordam com os seguintes termos:
a. autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sem pagamento, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista;
b. autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista;
c. autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho on-line (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado;
d. as ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões da revista.