v. 17 n. 2 (2019)

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Alguns dos mecanismos estratégicos da publicidade têm passado por significativa revisão, seja no repensar da ideia dominante da mensagem, nos atributos associados à imagem de marca, no posicionamento imutável ou nos valores que lhe concederiam as láureas de uma lovemark (ROBERTS, 2004). Tais ressignificações põem abaixo alguns dos princípios que regeram a atividade publicitária ao longo das últimas décadas, rompendo com paradigmas hegemônicos. Em anos recentes, o discurso social ganhou voz no meio publicitário e a epistemologia do campo reconheceu tais mudanças, inclinando-se sobre “narrativas engajadas” para observar os valores que tomam os discursos de marcas que assumem posicionamentos de caráter social e passam a representar diversidades e a defender causas, mesmo que nem sempre tais bandeiras pareçam plenamente adequadas às suas estratégias comunicacionais, aos seus valores marcários ou ao repertório de seu público, gerando polêmicas e insurgências. De um lado, haverá aqueles que irão se abster de consumir a marca como forma de protesto, promovendo o boycott. De outro, haverá aqueles que flexibilizarão seu consumerismo e irão deliberadamente comprar os produtos de uma empresa em apoio às suas políticas, proporcionando o que se convencionou por buycott. As responsabilidades que cabem à comunicação de uma marca incluem seus stakeholders, acionistas, colaboradores, fornecedores, distribuidores, consumidores e fãs – além da opinião pública e dos órgãos reguladores do setor, naturalmente. Alinhar interesses mercadológicos a causas sociais nem sempre corresponde às crenças dos diferentes atores envolvidos nesse cenário. Entender que efeitos a defesa de causas pode repercutir no capital social e simbólico dessas marcas, seja a partir de um altruísmo genuíno, seja decorrente de um oportunismo pontual são parte dos objetivos de publicação deste dossiê. Aliada às causas em si defendidas, a forma de gerar engajamento do respectivo público a esses discursos solidários está diretamente associada às histórias contadas por essas marcas, em sua forma e conteúdo. Nesse sentido, as narrativas publicitárias contemporâneas que buscam engajar o público às causas defendidas pelas marcas são o objeto de estudo desta edição da revista Ícone.
Publicado: 2019-05-31

Abertura

  • Carta ao Leitor

    Rogério Covaleski
    89-91
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.241357

Dossiê

  • Parte 2 - Quase Homem, Quase Mulher: As Repercussões na Rede Social Facebook de Gênero e Sexualidade Trans da Publicidade Veiculada na Televisão Aberta Brasileira

    André Iribure
    93-106
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.241224
  • A publicidade-documentário e a construção discursiva do efeito de real em prol da causa LGBTQ

    Leonardo Mozdzenski
    107-124
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.238965
  • A Genealogia em uma analítica do poder: Articulações e contrastes na representação LGBT publicitária

    Anderson Scherer, Juliana Petermann
    125-141
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.239070
  • “Chega lá e Eudora!”: ativismo e discurso inspiracional na campanha publicitária de uma marca-coaching

    Emanuelle Gonçalves Brandão Rodrigues, Danyelle Alves da Paixão, Thainá Evellyn Martiniano Alexandre
    142-157
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.239051
  • Três articulações da publicidade com o mundo social

    Marinês Andrea Kunz, João Batista Nascimento dos Santos
    158-171
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.239076
  • Do nome ao caráter: analisando a marca contemporânea enquanto dispositivo de discursividade social

    André Bomfim dos Santos
    172-188
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.239085
  • MIDIATIZAÇÃO DO RACISMO BRASILEIRO: Todecachinho, consumo, cidadania no caso da Youtuber Ana Clara Barbosa

    Pablo Moreno Fernandes Viana, Dalila Maria Musa Belmiro
    189-201
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.240854
  • A presença do idoso na publicidade de medicamentos no Brasil

    Paula Renata Camargo de Jesus
    202-212
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.241354
  • Indícios de uma Possível Reconfiguração do Papel da Comunicação Publicitária Frente à Demanda por Práticas Socialmente Responsáveis

    Keliny Silva, Rogério Covaleski
    213-228
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.241355
  • La publicidad social en México, comprender su pasado y crear su futuro

    Eder Antonio Salamanca Fuentes, Liliana Andrea Sánchez Islas
    229-242
    DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v17i2.241356