Trans-ver o gênero e inventar a vida: infância e imaginação em “Minha vida em cor-de-rosa”

Marcos Ribeiro de MELO, Michele de Freitas Faria de VASCONCELOS, Larissa Leite BATISTA

Resumo


Este artigo toma as artes visuais como caminho para o contato com infâncias, suas línguas brincantes e seus modos imaginativos de desconsertar a realidade pela fabulação de mundos. A aposta é a de que a novidade a que correspondem, estremeçam as certezas que nos cercam e deseduquem nossos olhares. Assim, entre imagens, planos, enquadramentos e ângulos, num diálogo com o filme “Minha vida em cor-de-rosa” (1997) e inspiradas pela etnografia de tela, somos guiadas pela imaginação de Ludovic na possibilidade de criar fissuras naquilo que concebemos como real e possível, projetando mundos. Nesse sentido, a imaginação infantil pode trans-ver o gênero e forçar um pensamento que problematiza a materialização dos corpos na fixidez binária de masculinidades e feminilidades

Infância. Gênero. Imaginação. Etnografia de tela

Trans-see the gender and invent the life: childhood and imagination in "My life in pink"

This article takes the visual arts as a way for contact with childhoods, their ludic languages, and their imaginative ways of disconcerting reality creating worlds. The bet is that the novelty to which they correspond, shake the certainties that surround us and change our views. Thus, between images, plans, frames and angles, in a dialogue with 

the film "My life in pink" (1997) and inspired by screen ethnography, we are guided by Ludovic's imagination in the possibility of creating fissures in what we conceive as real and possible, constructing worlds. In this sense, the infantile imagination can trans-see the gender and force a thought that problematizes the materialization of the bodies in the binary fixity of masculinities and femininities.

Childhood. Gender, Imagination. Screen ethnography

 

 


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DOI: https://doi.org/10.33052/inter.v4i6.236742

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