Rupturas com a colonialidade do ser deficiente: por uma pedagogia decolonial anticapacitista nos preceitos de Paulo Freire
DOI:
https://doi.org/10.51359/2525-7668.2023.258979Palavras-chave:
pensamento decolonial, colonialidade do ser deficiente, pedagogia decolonial anticapacitistaResumo
Apresenta-se um recorte teórico da tese “Narrativas de vida e o pensamento decolonial: na construção da integralidade do Ser Surdo na Amazônia tocantina”. O objetivo geral, neste artigo, foi apresentar a colonialidade do ser deficiente e as rupturas decoloniais, a partir da proposição de uma pedagogia decolonial anticapacitista nos preceitos de Paulo Freire. A metodologia fundamentou-se em uma pesquisa bibliográfica. Com essa produção percebeu-se que os estudos decoloniais precisam teorizar que a modernidade incidiu sobre os corpos, através da normalidade, não somente dos povos do campo, das águas, das florestas, dos quilombos, dos povos originários, de homens e mulheres pretas cis e trans, dos indivíduos pertencentes à comunidade LBGTQIAP+, das mulheres, mas também das Pessoas com Deficiência. Tal ação é necessária e urgente, pois esse coletivo, mesmo em um campo teórico do Sul global, ainda se torna o outro do outro. Assim, ilustra-se a necessidade de se pensar a genealogia de uma pedagogia decolonial anticapacitista nos preceitos freireanos.
Referências
BALLESTRIN, L. América latina e Giro Decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 11, p. 89-117, maio/ago. 2013. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-33522013000200004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcpol/a/DxkN3kQ3XdYYPbwwXH55jhv/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 14 abr. 2023.
BENTES, J. A. O.; HAYASHI, M. C. P. I. Normalidade e disnormalidade: formas de trabalho docente na educação de surdos. Campina Grande: EUEPB, 2012.
BHABHA, H. K. O local de cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2007.
BRASIL. Decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras. Brasília, DF: Presidência da República, [2005]. Disponível em: www.planalto.gov. Acesso em: 28 fev. 2023.
BRASIL. Lei nº 13.146 de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br Acesso em: 28 fev. 2023.
CANGUILLHEM, C. O normal e o patológico. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.
DIAS, A. Por uma genealogia do capacitismo: da eugenia estatal a narrativa capacitista social. In: Simpósio Internacional de Estudos Sobre a deficiência – SEDPcD/Diversidade/USP Legal, 1, 2013, São Paulo. Anais […]. São Paulo, USP, jun./2013. Disponível em: http://www.memorialdainclusao.sp.gov.br/ebook/Textos/Adriana_Dias.pdf Acesso em: 28 fev. 2023.
DINIZ, D. O que é deficiência. São Paulo: Brasiliense, 2007.
DUSCHATZKY, S; SKLIAR, C. O nome dos outros. Narrando alteridade na cultura e na educação. In: LARROSA, J; SKLIAR, C. (Org.). Habitantes de Babel: políticas e poéticas da diferença. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011, p. 119-138.
DUSSEL, E. Filosofia da Libertação na América Latina. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1980.
DUSSEL, E. 1492: O Encobrimento do Outro - a origem do mito da modernidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.
DUSSEL, E. Ética da Libertação na idade da globalização e da exclusão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.
FANON, F. Os Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
FANON, F. Pele Negra, Máscaras Brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.
FLEURI, R. M. Políticas da Diferença: Para além dos Estereótipos na Prática Educacional. Educ. Soc., Campinas, v. 27, n. 95, p. 495-520, maio/ago. 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302006000200009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v27n95/a09v2795.pdf. Acesso em: 28 fev. 2023.
FREIRE, P. Cartas a Guiné-Bissau: registros de uma experiência em processo. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, P. Professora, sim; tia, não: cartas a quem ousa ensinar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
FREIRE, P. Pedagogia da indignação cartas pedagógicas e outros escritos. 3.ed. São Paulo: Paz e terra, 2016.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 63. ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 2017.
FREIRE, P. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 24. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2018.
FREIRE, P. Pedagogia dos sonhos possíveis. In: FREIRE, A. M. A (org.). Pedagogia dos sonhos possíveis. 2. ed. Rio de janeiro: Paz e Terra, 2020.
MALDONADO-TORRES, N. Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões básicas. In: BERNADINO-COSTA, J.; MALDONADO-TORRES, N.; GROSFOGUEL, R. Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019, p. 27-53.
MARCONI, M. D. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisa, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
MAZZOTA, M. J. S. Educação Especial no Brasil: história e políticas públicas. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
MOTA NETO, J. C. D. Por uma pedagogia Decolonial na América Latina: reflexões em torno do pensamento de Paulo Freire e Orlando Fals Borda. Curitiba: CRV, 2016.
OLIVEIRA, W.M.M. de, JUNIOR, H. M. O pensamento Decolonial em produções científicas no Brasil (2011 a 2018). In: Reunião da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação – Norte, 3, 202, 1Tocantins. Anais [...]. Tocantins, UFT, mar./2023. Disponível em: http://anais.anped.org.br/regionais/sites/default/files/trabalhos/21/7114TEXTO_PROPOSTA_COMPLETO.pdf Acesso em: 28 fev. 2023.
OLIVEIRA, W. M. M. de; OLIVEIRA, I. A. de. As identidades surdas como objeto de estudo em produções científicas no Brasil (2004 a 2018). In: BRASILEIRA, T. S. A; FRANÇA, R. F. C (Org) Cartografia de produção do conhecimento na/da Pan- Amazônia dos grupos de pesquisa PRÁXIS UFOPA e UNIR. Brasília: Rosivan Diagramação & Artes Gráficas, 2021. p. 58-79.
OLIVEIRA, W. M. M de. Narrativas de vida e pensamento decolonial: na construção da integralidade do Ser Surdo na Amazônia Tocantina. Tese (Doutorado em Educação) Universidade do Estado do Pará, Belém, 2023, 413f. Disponível em: https://ccse.uepa.br/ppged/ Acesso em: 28 fev. 2023.
OLIVEIRA, I. A. Saberes, imaginários e representações na educação especial: a problemática da “diferença” e da exclusão social. Petrópolis, RJ: Vozes: 2005.
OLIVEIRA, I. A. Paulo Freire: gênese da educação intercultural no Brasil. Curitiba: CRV, 2015.
OLIVEIRA, I. A.; DIAS, A. S. Ética da Libertação de Enrique Dussel: caminho de superação do irracionalismo moderno e da exclusão social. Conjectura, Caxias do Sul, v. 17, n. 3, p. 90-106, set./dez. 2012. Disponível em: http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conjectura/article/view/1798/1129 Acesso em: 22 jun. 2020.
OLIVEIRA, L. F. O que é pedagogia decolonial? In: LIMA, A. R. S. et al (Org.). Pedagogias Decoloniais na Amazônia: fundamentos, pesquisas e práticas. Curitiba: CRV, 2021, p. 23-34.
QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In. LANDER, E. (Org.). La colonialidade del saber: eurocentrismo e ciências sociales. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142.
SKLIAR, C. Pedagogia (improvável) da diferença: e se o outro não estivesse aí? Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
SKLIAR, C. A inclusão que é “nossa e a diferença que é do outro”. In: RODRIGUES, D. Inclusão e educação: doze olhares sobre educação inclusiva. São Paulo: Summus, 2006. p.16-34.
STRECK, D. R. Práticas educativas e movimentos sociais na América Latina: aprender nas fronteiras. Série Estudos: Periódico do Mestrado em Educação da UCB, n. 22, p. 99-112, 2006. Disponível em: https://serieucdb.emnuvens.com.br/serie-estudos/article/view/278/133. Acesso em: 24 fev. 2023.
WALSH, C. Interculturalidade Crítica e Pedagogia Decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, V. M. (Org.). Educação Intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Waldma Maíra Menezes de Oliveira, Ivanilde Apoluceno de Oliveira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
1. Proposta de Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença CreativeCommons Atribuição 4.0
Internacional (texto da Licença:https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista. - Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).