O que significa de(s)colonizar práticas educativas?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2525-7668.2024.262738

Palavras-chave:

decolonialidade, práticas educativas, epistemologias decoloniais

Resumo

No campo da educação, debates fomentados pelo pensamento decolonial tem se avolumado nos últimos anos. Em torno das muitas questões colocadas, faz-se necessário indagar o que, efetivamente, significa de(s)colonizar práticas educativas. Esse texto tem por objetivo apresentar reflexões em torno dessa questão, traçando um caminho de desenvolvimento que propõe pensar a relação entre colonialismo/colonialidade e educação, enfatizando suas múltiplas dimensões, pensando o que é necessário transformar e quais são as implicações deste processo. As reflexões desenvolvidas apontam para a compreensão de que processos educativos baseados no exercício decolonial evocam modos outros de viver, saber e conhecer.

Biografia do Autor

André Augusto Diniz Lira, Universidade Federal de Campina Grande

Professor Titular da UFCG e Professor Permanente do PPGEd/UFCG.

Andreia Fernandes Oliveira, Universidade Federal de Campina Grande

Pós-doutoranda no PPGEd/UFCG. Bolsista Fapesq -PB.

Arthur Cardoso de Andrade, Universidade Federal de Campina Grande

Mestrando em Educação no PPGEd/UFCG.

Referências

Arias, P. G. Corazonar: Una antropología comprometida con la vida. Miradas otras desde Abya-Yala para la decolonización del poder, del saber y del ser. Quito: Ediciones Abya-Yala, 2010.

Bourdieu, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Zahar, 1998a.

Bourdieu, Pierre. Escritos de Educação. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1998b.

Candau, Vera Maria Ferrão. Escola, Didática e Interculturalidade: desafios atuais. In: Libâneo, José Carlos; Suanno, Marilza Vanessa Rosa (Org.). Didática e Escola em uma Sociedade Complexa. Goiânia: CEPED, 2011. p. 13-32.

Carneiro, Aparecida Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

Chaves, Pedro Jônatas. Didática, Decolonialidade e Epistemologias do Sul: uma proposta insurgente contra a neoliberalização do ensino escolar e universitário. Curitiba: CRV, 2021.

Dávila, Jerry. Diploma de brancura: política social e racial no Brasil – 1917 -1945. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

Davis, Angela. Mulheres, cultura e política. São Paulo: Boitempo, 2016.

Dussel, Enrique. Filosofia da libertação na América Latina. Trad. Luiz João Gaio. São Paulo: Loyola/Unimep, 1977.

Dussel, Enrique. Transmodernity and interculturality: An interpretation from the perspective of philosophy of liberation. Transmodernity: Journal of Peripheral Cultural Production of the Luso-Hispanic World, v. 1. 2012.

Fonseca, Fernanda Cardoso. Nossa Améfrica Ladina: O pensamento (decolonial) de Lélia Gonzalez. 2021. 182 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais). - Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2021. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/33728/1/FERNANDA%20FONSECA%20-%20%5BDISSERTA%C3%87%C3%83O%5D%20Nossa%20Am%C3%A9frica%20-%20O%20pensamento%20%28decolonial%29%20de%20L%C3%A9lia%20Gonzalez.pdf. Acesso em 10 abr. 2024.

Franco, Maria Amélia Santoro. Por uma didática decolonial: epistemologia e contradições. Educação e Pesquisa, v. 48, p. e240473, 2022. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ep/article/view/195964. Acesso em: 9 abr. 2024.

Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 43ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.

Gonzalez, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 92/93, p. 69-82, jan./jun. 1988.

Hooks, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo Martins Fontes, 2013.

Lander, Edgardo. Ciencias Sociales: saberes coloniales y eurocêntrico. In: Lander, Edgardo. La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO), 2000.

Laval, Christian. A escola não é uma empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público. São Paulo: Boitempo, 2019.

Mezarobba, Gilson. Imperialismo e educação: a relação entre a educação pública e as fundações e institutos empresariais no Brasil (1990 - 2014). 2017. 406 f. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 2017. Disponível em: https://tede.utp.br/jspui/handle/tede/1730. Acesso em 11 abr. 2024.

Maldonado-Torres, Nelson. Sobre a colonialidade do ser: contribuições para o desenvolvimento de um conceito. Rio de Janeiro: Via Verita, 2022.

Meneghetti, Francis Kanashiro. O que é um ensaio-teórico?. Revista de administração contemporânea, v. 15, p. 320-332, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rac/a/4mNCY5D6rmRDPWXtrQQMyGN/. Acesso em: 20 mar. 2024.

Nidelcoff, Maria Teresa. Uma escola para o povo. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Quijano, Aníbal. Colonialidad y modernidad/racionalidad. Perú indígena, v. 13, n. 29, p. 11-20, 1992. Disponível em: https://www.lavaca.org/wp-content/uploads/2016/04/quijano.pdf. Acesso em: 10 mar. 2024.

Quijano, Aníbal. Colonialidad del poder, cultura y conocimiento en América Latina. Dispositio, v. 24, n. 51, p. 137-148, 1999.

Quijano, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: Lander, E. (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005.

Ramalho, B.; Alvarez Leite, L. H. Colonialidade da educação escolar: aproximação teórica e análise de práticas. Revista Educação em Questão, [S. l.], v. 58, n. 58, 2020. Diaponível em: https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/article/view/22412. Acesso em: 20 abr. 2024.

Ratts, Alecsandro J. P; Rodrigues, Ana Paula Costa; Vilela, Benjamim Pereira; Cirqueira, Diogo Marçal. Representações da África e da População Negra nos livros didáticos de Geografia. Revista da Casa da Geografia de Sobral (RCGS), v. 8, n. 1, 2006. Disponível em: https://rcgs.uvanet.br/index.php/RCGS/article/view/89. Acesso em: 20 jan. 2024.

Reis, Diego dos Santos. “Da terra sai um cheiro bom de vida e nossos pés a ela estão ligados”: amefricanizando o currículo. Revista Espaço do Currículo, [S. l.], v. 16, n. 1, p. 1–10, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rec/article/view/66132. Acesso em: 15 abr. 2024.

Reis Neto, João Augusto dos; Grammont, Maria Jaqueline de. Exu nas escolas: Rompendo as fronteiras do currículo colonizado. Revista e-Curriculum, v. 19, n. 3, p. 1131-1155, 2021. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S1809-38762021000301131&script=sci_arttext. Acesso em: 14 dez. 2023.

Rufino, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

Saviani, D. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2008.

Silva, Gleidson; Amorim, Simone Silveira. Apontamentos sobre a educação no Brasil Colonial (1549-1759). Interações (Campo Grande), v. 18, p. 185-196, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/inter/a/tGGWx3Dp58Sx3FmY8trzGyR/?lang. Acesso em: 15 abr. 2024.

Spivak, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014.

Veiga, Cynthia Greive. Escola de alma branca o direito biológico à educação no movimento da escola nova. Educação em Revista [online], número especial, pp.123-150. 2000. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S0102-46982000000200007&script=sci_abstract&tlng=en. Acesso em: 4 mar. 2024.

Veiga, Cynthia Greive. Escola pública para os negros e os pobres no Brasil: uma invenção imperial. Revista Brasileira de Educação, v. 13, p. 502-516, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/hjFMbWn5YWMsSgtQq6SKHTG/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 30 de mar. 2024.

Walsh, Catherine. Gritos, gretas e semeaduras de vida: Entreteceres do pedagógico e do colonial. In: Santos, Sueli Ribeiro Mota; & Santos, Luciano Costa (Org.), Entre-linhas: educação, fenomenologia e insurgência popular, pp. 93-120. Bahia: EDUFBA, 2019.

Downloads

Publicado

2024-11-28

Edição

Seção

Dossiê Experimentações culturais cotidianas, diversidade, movimentos de resistência e criação: ou sobre outras éticas, estéticas, poéticas e políticas de vida