Escavar o ser: a simbologia da água em Breton e Duras
DOI:
https://doi.org/10.51359/1984-7408.2025.267920Palavras-chave:
Simbologia, Nadja, O Amante, Literatura do século XX, PsicanáliseResumo
Este artigo analisa a presença da água em Nadja (1928), de André Breton, e O Amante (1984), de Marguerite Duras. Considerando a importância do símbolo na prosa do século XX, ele examina a simbologia que se desdobra em torno da água nesses dois escritos, no contexto de uma abordagem literária que pretende captar o ser humano em toda a sua complexidade. De acordo com as conclusões de Anatol Rosenfeld (2009) sobre o romance moderno, é possível afirmar que no século XX a literatura não podia mais ignorar a descoberta do inconsciente, nem o fato de que a representação tradicional da realidade já não correspondia às expectativas do homem do pós-guerra. Nesse contexto, escrever deixou de ser sinônimo de uma abordagem mimética da realidade, passando a ser um meio de sondar os sonhos e dissecar os mistérios da subjetividade. As obras de Breton e Duras ilustram, por fim, esse novo momento literário em que a dúvida e a ambiguidade se impõem. A água, seja como força violenta ou como fonte infinita (Bachelard, 1942), torna-se, assim, um instrumento para que os escritores toquem o invisível e traduzam em texto o que parecia inenarrável.
Referências
BACHELARD, Gaston. L'eau et les rêves. Essai sur l'imagination de la matière. Paris : Librairie José Corti, 1942.
BRETON, André. Nadja. Paris : Gallimard, 1928.
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