Avaliação do padrão hidroclimático e da erosividade no Sertão de Pernambuco

Mariana Caroline Gomes de Lima, Thais Emanuelle Monteiro dos Santos Souza, Valéria Sandra de Oliveira Costa, Carlos Eduardo Santos de Lima, Josimar Vieira dos Reis, Werônica Meira de Souza

Resumo


A erosão hídrica é um dos grandes problemas que atingem regiões com potenciais agrícolas e áreas com propensão para deslizamento de terras. A chuva é considerada o fator climático que exerce maior influência no processo erosivo, especialmente nos trópicos por causa da sua distribuição temporal, espacial, características físicas e duração. Este trabalho teve como objetivo determinar o padrão hidrológico e o índice de erosividade  no sertão Pernambucano, visando contribuir com informações estratégicas para gestão agrícola e ambiental na região. Foram utilizados dados pluviométricos horários de 2000 a 2017 localizados no município de Petrolina, disponibilizados pela (APAC). A partir dos dados da precipitação, utilizou-se o aplicativo Climap 3.0 para avaliar os eventos extremos de precipitação e o padrão hidrológico, bem como determinou-se por meio de equações o índice de erosividade para a região. No período analisado os maiores valores da precipitação ocorreram entre os meses de janeiro e abril e identificou-se 8 anos consecutivos de seca na região. Os resultados apontam que houve tendências significativas nas séries de dados, a erosividade foi considerada fraca a moderada em sua maioria, e o padrão hidrológico mais frequente foi o padrão intermediário, resultando uma alta suscetibilidade dos solos da região em sofrer erosão hídrica.

Evaluation of hydroclimatic pattern and erosivity Sertão of Pernambuco

 

A B S T R A C T

 

Water erosion is one of major problems affecting regions with agricultural potential and landslide-prone areas. Rain is considered the climatic factor that exerts greatest influence on erosive process, especially in tropics because its temporal, spatial distribution, physical characteristics and duration. This work purpose to determine  hydrological pattern and erosivity index in Pernambucano Sertão,  to contribute with strategic information for agricultural and environmental management in region. Rainfall data from 2000 to 2017 located in city of Petrolina, provided by (APAC) were used. From the rainfall data, the Climap 3.0  was used to evaluate the extreme rainfall events and  hydrological pattern, as well  to determine through equations the erosivity index for  region. During  analyzed period the highest rainfall values occurred between January and April and 8 consecutive years of drought were identified in region. The results indicate that there were significant trends in data series, erosivity was considered weak to moderate mostly, and most frequent hydrological pattern was the intermediate pattern, resulting in high susceptibility of region's soils to water erosion.

Keywords: climate variability, hydrological pattern, extreme indexes.


Texto completo:

PDF

Referências


Albuquerque, A.W., Chaves, I.B., Vasques Filho, J, 1994. Distribuição e relações com a precipitação pluviométrica de Caruaru-PE. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola 14, 83-90.

Albuquerque, A.W., Lombardi Neto, F., Srinivasan, V.S, 2001. Efeito do desmatamento da caatinga sobre as perdas de solo e água de um Luvissolo em Sumé (PB). Revista Brasileira de Ciência do Solo 25, 121-128.

Azevedo, P.V., Silva, B.B., Silva, V.P.R., 2003. Water requirements of irrigated mango orchards in Northeast Brazil. Agricultural Water Management 58, 241-254.

Barbosa, V.V., Souza, W.M., Galvíncio, J.D., Costa, V.S.O., 2016. Análise da variabilidade climática do município de Garanhuns, Pernambuco–Brasil. Revista Brasileira de Geografia Física 9, 353-367.

Cabeda, M.S.V., 1976. Computation of Storm EI Values. Purdue University, West Lafayette.

Carvalho, M.P, 1987. Erosividade da chuva: distribuição e correlação com as perdas de solo de Mococa - SP. Dissertação (Mestrado). Piracicaba, USP.

Carvalho, M.P., Lombardi Neto, F., Vasques Filho, J., Caetano, A., 1989. Erosividade da chuva de Mococa (SP) analisada pelo indice'EI IND. 30'. Revista Brasileira de Ciência do Solo 13, 243-249.

Carvalho, N.O., 2008. Hidrossedimentologia Prática. 2. ed. Interciência, Rio de Janeiro.

Cassol, E.A., Eltz, F.L.F., Martins, D., Lemos, A.M.D., Lima, V.S.D., Bueno, A.C., 2008. Erosividade, padrões hidrológicos, período de retorno e probabilidade de ocorrência das chuvas em São Borja, RS. Revista Brasileira de Ciência do Solo 32, 1239-1251.

Cunha e Silva, D.C., Albuquerque Filho, J.L., Lourenço, R. W. 2016. Uso de indicadores morfométricos como ferramentas para avaliação de bacias hidrográficas. Revista Brasileira de Geografia Física 09, 627-642. DOI:https://doi.org/10.26848/rbgf.v9.2.p627-642

Dias, A.S., Silva, J.R.C., 2003. A erosividade das chuvas em Fortaleza (CE). Distribuição, probabilidade de ocorrência e período de retorno - 1a. Aproximação. Revista Brasileira de Ciência do Solo 27, 335-345.

Eltz, F.L.F., Mehl, H.U., Reichert, J.M., 2001. Perdas de solo e água em entressulcos em um Argissolo Vermelho Amarelo submetido a quatro padrões de chuva. Revista Brasileira de Ciência Solo 25, 485-493.

Emídio, Z.P.D.O., Landim, P.M.B., 2008. Análise de superfície de tendência aplicada à chuva, medida por radar meteorológico, nas regiões de Assis e Piracicaba, SP. Geociências 27, 439-449.

Ferreira, A.G., Mello, N.G.S., 2005. Principais sistemas atmosféricos atuantes sobre a região Nordeste do Brasil e a influência dos oceanos Pacífico e Atlântico no clima da região. Revista Brasileira de Climatologia 1, 15-28.

Ferreira, P.S., Gomes, V.P., Galvíncio, J.D., Santos, A.M., Souza, W.M.., 2017. Avaliação da tendência espaço-temporal da precipitação pluviométrica em uma região semiárida do estado de Pernambuco. Revista Brasileira de Climatologia 21, 113-134.

Flato, M., Muttarak, R., Pelser, A., 2017. Women, weather, and woes: the triangular dynamics of female-headed households, economic vulnerability, and climate variability in South Africa. World Development 90, 41–62.

Foster, G.R., Mc Cool, D.K., Renard, K.G., Moldenhauer, W.C., 1981. Conversion of the universal soil loss equation to SI metric units. Journal of Soil Water Conservation 36, 355-359.

Francisco, P.R.M., Medeiros, R.M., Matos, R.M.,Bandeira, M.M., Santos, D. 2015. Análise e Mapeamento dos Índices de Umidade, Hídrico e Aridez através do BHC para o Estado da Paraíba. Revista Brasileira de Geografia Física 08, 1093-1108. DOI:https://doi.org/10.26848/rbgf.v8.4.p1093-1108

Hoomehr, S., Schwartz, J.S., Yoder, D.C., 2016. Potential changes in rainfall erosivity under GCM climate change scenarios for the southern Appalachian region, USA. Catena 136, 141-151.

Horner, W.W., Jeans, S.W., 1942. Surface runoff determination from rainfall without using coefficients. Transactions of the American Society of Civil Engineers 107, 1039-1117.

Lee, J-H., Heo, J-H., 2011. Evaluation of estimation methods for rainfall erosivity based on annual precipitation in Korea. Journal of Hidrology 409, 30-48.

Lira, D.R.D., 2014. Evolução geomorfológica e paleoambiental das bacias do riacho do Pontal e GI-8 no Sub-Médio São Francisco. Tese (Doutorado). Recife, UFPE.

Lopes, P.R.C., Brito, L.T.L., 1993. Erosividade da chuva no médio São Francisco. Revista Brasileira de Ciência do Solo 17, 129-133.

Marengo, J.A., Cunha, A.P. Alves, L.M., 2016. A seca de 2012-15 no semiárido do Nordeste do Brasil no contexto histórico. Revista Climanálise 3, 49-54.

Mehl, H.U., Eltz, F.L.F., Reichert, J.M., Didoné, IA., 2001. Caracterização de padrões de chuvas ocorrentes em Santa Maria (RS). Revista Brasileira de Ciência do Solo 25, 475-483.

Nóbrega, R.S., Ayane, G., Santiago, C.F., 2016. Tendências do controle climático oceânico sob a variabilidade temporal da precipitação no Nordeste do Brasil. Revista de Geografia Norte Grande 63, 9-26.

Oliveira, P.T.S., Alves Sobrinho, T., Rodrigues, D.B.B., Panachuki, E., 2011. Erosion risk mapping applied to environmental zoning. Water Resources Management 25, 1021-1036.

Ramos, C.M.C., Silva, A.F., Sartori, A.A.C., Zimback, C.R.L., Bassoi, L.H., 2011. Modelagem da variação horária da temperatura do ar em Petrolina, PE, e Botucatu, SP. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental 15, 959–965.

Rodrigues, L.O., Souza, W.M., Costa, V.S.O., Pereira, M.LT, 2018. Influência dos eventos de El Niño e La Niña no regime de precipitação do Agreste de Pernambuco. Revista Brasileira de Geografia Física 10, 1995-2009.

Rufino, R.L., Biscaia, R.C.M., Merten, G.H., 1993. Determinação do potencial erosivo da chuva do Estado do Paraná, através de pluviometria: terceira aproximação. Revista Brasileira de Ciência do Solo 17, 439-444.

Salvador, M.A., 2014. Análise da variabilidade climática na nova fronteira agrícola do Brasil: região do Matopiba. Tese (Doutorado). Campina Grande, UFCG.

Santos, C.A.C., Ramos, A.R.D., 2018. Avaliação dos eventos extremos de precipitação no estado do Piauí. Agrometeoros 25, 47-57.

Santos, J.A., 2007. Análise dos riscos ambientais relacionados às enchentes e deslizamentos na favela São José. João Pessoa – PB. Dissertação (Mestrado). João Pessoa, UFPB.

Silva, E.R.A.C., Galvincio, J.D., Nascimento, K.R.P., Santana, S.H.C., Souza, W.M., Costa, V.S.O., 2018. Análise da tendência temporal da precipitação pluviométrica interanual e

intra-anual no semiárido Pernambucano. Revista Brasileira de Climatologia 22, 76-98.

Silva, I.F., Andrade, A.P., Campos Filho, O.R., Souza, V.F., 1985. Erosividade das chuvas das zonas fisiográficas Agreste e Sertão de Pernambuco. Agropecuária Técnica 6, 26-37.

Silva, R.O.B., Montenegro, S.M.G.L., Souza, W.M., 2017. Tendências de mudanças climáticas na precipitação pluviométrica nas bacias hidrográficas do estado de Pernambuco. Engenharia Sanitaria e Ambiental 22, 579-589.

Silva, W.L., Dereczynski, C., Chang, M., Freitas, M., Machado, B.J., Tristão, L., Ruggeri, J., 2015. Tendências observadas em indicadores de extremos climáticos de temperatura e precipitação no estado do Paraná. Revista Brasileira de Meteorologia 30, 181-194.

Silva, M. R. , Moura, F. P. Jardim, C.H. 2017. O diagrama de caixa (Box Plot) aplicado à análise da distribuição temporal das chuvas em Januária, Belo Horizonte e Sete Lagoas, Minas Gerais-Brasil. Revista Brasileira de Geografia Física 10, 023-040. DOI: https://doi.org/10.5935/1984-2295.20170003

Souza, W.M., Azevedo, P.V., Araújo, L.E., 2012. Classificação da precipitação diária e impactos decorrentes dos desastres associados às chuvas na cidade do Recife- PE. Revista Brasileira de Geografia Física 2, 250-268.

Trindade, A.L.F., Oliveira, P.T.S., Anache, J.A.A., Wendland, E, 2017. Variabilidade espacial da erosividade das chuvas no Brasil. Pesquisa Agropecuária Brasileira 51, 1918-1928.

Uvo, C.R.B., Nobre, C.A., 1989. Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e a precipitação no Norte do Nordeste do Brasil. Parte I: a posição da ZCIT no Atlântico Equatorial. Climanálise 4, 34-40.

Valverde, M.C., Cardoso, A.O., Brambila, R., 2018. O padrão de chuvas na região do ABC Paulista: os extremos e seus impactos. Revista Brasileira de Climatologia 22, 165-187.

Wischmeier, W.H., Smith, D.D., 1978. Predicting rainfall erosion losses: a guide to conservation planning. Washington. (Agriculture Handbook, 537).

Xavier, D.R., Barcellos, C., Freitas, C.M., 2014. Eventos climáticos extremos e consequências sobre a saúde: o desastre de 2008 em Santa Catarina segundo diferentes fontes de informação. Ambiente & Sociedade 17, 273-294.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v12.5.p1757-1769

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License