Influência dos eventos de El Niño e La Niña no regime de precipitação do Agreste de Pernambuco (Influence of El Niño and La Niña events on rainfall of Agreste Pernambuco)

Luana de Oliveira Rodrigues, Werônica Meira de Souza, Valéria Sandra de Oliveira Costa, Maria Luana Torres Pereira

Resumo


O Nordeste brasileiro, em destaque Pernambuco, apresenta grande variabilidade e irregularidade de chuvas, uma vez que esta é associada às oscilações das temperaturas dos oceanos Pacífico e Atlântico. Diante desta problemática, a pesquisa teve por objetivo analisar a influência dos eventos El Niño e La Niña sobre o regime de chuvas no Agreste de Pernambuco. Utilizaram-se dados mensais de precipitação pluviométrica de 30 estações localizadas no Agreste no período de 1963 a 2016, como também dados mensais do Índice Oceânico do Niño (ION). Foi realizada a climatologia mensal da região para identificar os períodos úmidos e secos da região. Em seguida, os eventos de El Niño e La Niña foram identificados e classificados de acordo com a intensidade dos fenômenos (Muito Forte, Forte, Moderado e Fraco), baseado nos valores do ION, e relacionados com a precipitação total anual. Por fim, correlacionou-se o ION com a precipitação pluviométrica trimestral, a partir do método de Pearson para identificar a influência sazonal. Verificou-se que o período chuvoso da região corresponde aos meses de março a julho, e o seco de agosto a fevereiro. Há dois padrões climáticos, um considerado úmido com maior número de anos chuvosos até o final da década de 80, e o segundo com aumento da frequência de anos secos a partir da década de 90. Os eventos de El Niño com intensidades variadas não explicam sozinhos os anos secos, assim como os eventos de La Niña não estão associados, necessariamente, a anos chuvosos. A interação desses fenômenos com os sistemas meteorológicos e o Dipolo do Atlântico é que são determinantes no regime de chuvas. Na análise sazonal, constatou-se que o ION exerce influência sobre o regime de chuvas, principalmente no período chuvoso.

 

 

 

 


Palavras-chave


variabilidade climática, ION, semiárido

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v10.6.p1995-2009

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