Variação Longitudinal da Salinidade do Estuário Hipersalino do Rio Apodi/Mossoró (Rio Grande do Norte, Brasil) (Salinity Longitudinal Variation of Hypersaline Estuary of the Apodi/Mossoró River (Rio Grande do Norte, Brazil))
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v11.3.p850-863Palavras-chave:
semiárido, estuário hipersalino, Rio Apodi/MossoróResumo
Em regiões semiáridas e áridas a descarga de águas nos estuários é frequentemente temporária com grandes fluxos na estação chuvosa, seguidos de meses (5-10) de descarga insignificante, podendo torná-los hipersalinos. Esta pesquisa analisa a variabilidade espacial e temporal da salinidade da água no estuário do Rio Apodi/Mossoró (RN). Foram obtidos dados diários de salinidade, durante os períodos de preamar (2009 a 2013) em 7 estações distribuídas no canal estuarino principal; e dados de precipitação pluviométrica. Foi gerada uma matriz de dados para aplicação de testes estatísticos de análise multivariada e descritiva. As variações espaciais desse parâmetro foram significativas (p<0.001), marcadas por elevação gradativa das concentrações no sentido à montante. Esse estuário foi classificado por zonas eurihalinas (pontos 1, 2, 3 e 5) e hiperalinas (pontos 4, 6 e 7), caracterizando um perfil inverso de estratificação horizontal da salinidade. A hipersalinidade apresentou-se dominante durante o segundo semestre anual, chegando atingir níveis superiores a 70‰ entre os pontos 4, 5, 6 e 7. Portanto, nesse ambiente estuarino as águas marinhas exercem maior influência em relação a águas dulcícolas, visto que o balanço das águas deriva da interação de superiores níveis de evaporação em relação às taxas de precipitação e descargas fluviais.
Downloads
Referências
Campos, J.N.B., Morais, J.O., 2007. Avaliação do uso potencial de áreas estuarinas a partir da identificação e caracterização do comportamento de variáveis hidro-climáticas, oceanográficas e ambientais – estudos de caso: Rio Pirangi-CE. FUNCEME, Fortaleza.
Costa, D.F.S., Silva, A.A., Medeiros, D.H.M., Lucena Filho, M.A., De Medeiros Rocha, R., 2013. Breve revisão sobre a evolução histórica da atividade salineira no estado do Rio Grande do Norte (Brasil). Sociedade & Natureza 25, 21 – 34.
De Medeiros Rocha, R., Barbora, J.E.L., Watanabe, T., Souto, F.J.B., 2000. Distribuição espaço-temporal da comunidade fitoplanctônica e variáveis hidrológicas em uma salina artesanal do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil. Revista Nordestina de Biologia 15, 7-26.
Dias, C.B., 2005. Dinâmica do sistema estuarino Timonha/Ubatuba (Ceará – Brasil): condições ambientais. Dissertação (Mestrado). Fortaleza, UFC.
Esteves, F.A., 1998. Fundamentos de limnologia, 2 ed. Interciência, Rio de Janeiro.
Hardle, W., Simar, L., 2007. Applied Multivariate Statistical Analysis, 2 ed. Springer, Berlin.
IDEMA. Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio ambiente do Rio Grande do Norte, 2008. Perfil do seu município 2008: Areia Branca. Natal.
IDEMA. Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte, 2012. Perfil do Rio Grande do Norte. Natal.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1992. Censo demográfico 1991: resultados preliminares. Rio de Janeiro.
Kjerfve, B., 1987. Estuarine Geomorphology and Physical Oceanography, in: Day Jr., Hall, C.H.A.S., Kemp, W.M., Yánez-Aranciba, A. (Org.), Estuarine Ecology. Wiley, New York, pp. 47-78.
Kjerfve, B., Schettini, C.A.F., Knoppers, B., Lessa, G., 1996. Hydrology and salt balance in a large, hypersaline coastal lagoon: Lagoa de Araruama, Brazil. Estuarine, Coastal and Shelf Science 42, 701-725.
Maia, R.P., Bezerra, F.H.R., 2012. Geomorfologia e neotectônica da bacia hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró – NE/Brasil. Mercator 11, 209-228.
Medeiros, D.H.M., 2016. Ambientes hipersalinos no litoral semiárido brasileiro: zona estuarina do Rio Apodi – Mossoró (RN). Dissertação (Mestrado). Fortaleza, UECE.
Medeiros, D.H.M., Cavalcante, A.A., Pinheiro, L.S., 2018. Respostas dos padrões de sedimentação e hipersalinidade na cobertura vegetal de planície estuarina sob influência da semiaridez. Geosul 33, 70-84.
Miranda, L.B., Castro, B.M., Kjerfve, B., 2012. Princípios de oceanografia física de estuários, 2 ed. Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo.
Morais, J.O., Pinheiro, L.S., 2011. The effect of semi-aridity and damming on sedimentary dynamics in estuaries - Northeastern region of Brazil. Journal of Coastal Research 64, 1540-1544.
Nimer, E., 1989. Climatologia do Brasil, 2 ed. IBGE, Rio de Janeiro.
Paula, D.P., 2006. Elaboração de Paisagens Contíguas ao Estuário do Rio Jaguaribe-CE. Dissertação (Mestrado). Fortaleza, UECE.
Pinheiro, L.S., 2003. Riscos e Impactos Ambientais no Estuário do Rio Malcozinhado, Cascavel-CE. Tese (Doutorado). Recife, UFPE.
Pinheiro, L.S., Morais, J.O., 2010. Interferências de barramentos no regime hidrológico do Estuário do Rio Catú-Ceará-Nordeste do Brasil. Sociedade & Natureza 22, 237-250.
Quintela, T.O.F., 2008. A dinâmica ambiental do estuário do Rio Curu – CE: subsídios para o monitoramento e gerenciamento da área de proteção ambiental. Dissertação (Mestrado). Fortaleza, UECE.
RADAMBRASIL. Projeto RADAMBRASIL, 1981. Levantamento de Recursos Naturais/Geologia/Geomorfologia/Pedologia/Vegetação/Uso Potencial da Terra: Folhas SB. 24/25 – Jaguaribe/Natal. Rio de Janeiro.
Ramos Silva, C.A., 2004. Caracterização física, físico-química e química dos estuários Apodi, Conchas, Cavalos, Açu, Guamaré, Galinhos, Ceará-Mirim, Potengi, Papeba e Guaraíra. IDEMA, Natal.
Ridd, P.V., Stieglitz, T., 2002. Dry season salinity changes in arid estuaries fringed by mangroves and saltflats. Estuarine, Coastal and Shelf Science 54, 1039–1049.
Santiago, M.F., 2004. Ecologia do fitoplâncton de um ambiente tropical hipersalino (Rio Pisa Sal, Galinhos, Rio Grande do Norte, Brasil). 2004. Dissertação (Mestrado). Recife, UFPE.
Savenije, H.H.G., Pagès, J., 1992. Hypersalinity: a dramatic change in the hydrology of Sahelian estuaries. Journal of Hydrology 135, 157-174.
Soares, C.H.C., 2012. Análise hidrodinâmica e morfodinâmica do complexo estuarino do Rio Piranhas-Açu/RN, Nordeste do Brasil. Dissertação (Mestrado). Natal, UFRN.
Valle-Levinson, A., Delgado, J.A., Atkinson, L.P., 2001. Reversing Water Exchange Patterns at the Entrance to a Semiarid Coastal Lagoon. Estuarine, Coastal and Shelf Science 53.
Valle-Levinson, A., 2011. Classification of Estuarine Circulation, in: Wolanski, E.; Mclusky, D.S. (Org.), Treatise on Estuarine and Coastal Science. Academic Press, Waltham, pp. 75–86.
Valle-Levinson, A., Schettini, C.A., 2016. Fortnightly switching of residual flow drivers in a tropical semiarid estuary. Estuarine, Coastal and Shelf Science 169, 46 – 55.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2018 David Hélio Miranda de Medeiros, Andrea Almeida Cavalcante, Lidriana de Souza Pinheiro, Renato de Medeiros Rocha

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






