Classificação de áreas semiáridas e subúmidas secas utilizando diferentes índices climáticos

ELITON SANCLER GOMES SALES, WENDY KAORI MATSUNAGA, MAYARA MONIQUE ALMEIDA MOURA NUNES, JOÃO HUGO BARACUY DA CUNHA CAMPOS, JOSEFINA MORAES ARRAUT, JOSÉ IVALDO BARBOSA DE BRITO

Resumo


As delimitações das áreas semiáridas do Nordeste do Brasil e norte de Minas Gerais podem apresentar grandes diferenças conforme os métodos de classificação climática e de estimativa da evapotranspiração potencial (ET0) utilizados. Para demostra esta afirmação de forma quantitativa, nesta pesquisa, delimitou-se as áreas semiáridas usando dois métodos de classificação climática (1) índice efetivo de umidade de Thornthwaite (Im) e (2) índice de aridez do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (IaUNEP), enquanto, para a estimativa da ET0 usou-se os métodos de (1) Thornthwaite e (2) Penman-Monteith-FAO (PMF), totalizando quatro diferentes configurações de delimitações de áreas semiáridas. Com a utilização de Im observou-se um aumento do grau de aridez e de áreas semiáridas quando comparado com os resultados obtidos com o uso de IaUNEP. Do mesmo modo, ao usar a estimativa de ET0 pelo método PMF verifica-se um aumento da aridez e das terras semiáridas em comparação com a ET0 calculada por Thornthwaite. Como o método PMF é geralmente reconhecido como um método padrão para estimativa da ET0. Portanto, é possível certificar que o grau de aridez e de terras semiáridas no Nordeste do Brasil são mais elevados do que aqueles mostrados nos estudos com a estimativa de ET0 por Thornthwaite.


Palavras-chave


Semiárido, Classificação Climática, Evapotranspiração Potencial.

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v14.2.p%25p

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Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

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