Alterações foliares em Piper gaudichaudianum (Piperaceae) decorrentes do acúmulo de particulados atmosféricos em área de mineração no sul do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v16.6.p2994-3005Palavras-chave:
fotossíntese, poluição atmosférica, material particulado, biomonitoramento, qualidade do ar.Resumo
A poluição atmosférica, decorrente da atividade antrópica, é um fator que provoca alterações funcionais nas populações de plantas em todo o mundo. Mudanças essas que podem ser mensuradas e os resultados, assim obtidos, usados como bioindicadores da qualidade ambiental. Este estudo objetivou avaliar os efeitos do acúmulo de material particulado (MP) atmosférico, proveniente da atividade de lavra de rocha por uma mineradora em Joinville/SC, sobre a espécie nativa Piper gaudichaudianum (Piperaceae). Foram selecionados 5 indivíduos, para a avaliação de atributos morfoanatômicos e fisiológicos foliares, em dois pontos amostrais, sendo um adjacente à fonte emissora (ponto poluído) e outro em um ponto controle. O MP foi removido mecanicamente da superfície foliar e preparado para análise química por meio de difração de raio X e registro da superfície foliar em MEV. A quantificação e especiação do MP foi realizada por meio da Espectrometria de Emissão Óptica com Plasma (ICP-OES). Médias foram comparadas por meio de Teste t e a contribuição do atributo avaliada pela Análise de Componentes Principais, ambos em ambiente R. A maior quantidade de Silício, Ferro, Zinco, Magnésio, Alumínio e Manganês foi registrada no ponto poluído e que parece ter a sua origem nas rochas quartzosas lavradas e britadas. Foram observadas diferenças interpopulacionais para todos os atributos foliares avaliados, com destaque à deficiência de clorofilas a e b nas plantas da área poluída, sugerindo que a poluição por MP afeta o crescimento da espécie estudada. A vantagem do uso de bioindicadores está em seu baixo custo e na eficiência de avaliação da qualidade ambiental.
Downloads
Referências
Bernatzky, A.,1978. Tree ecology and preservation. Elsevier Scientific, New York, pp. 357.
Borcard, D., Gillet, F.; Legendre, P., 2011. Numerical ecology with R. Springer, New York, pp. 306.
Cavallaro, R., Melo Júnior, J. C. F., Bonatti-Chaves, M., Renner, G. D. R., 2018. Avaliação do efeito da poluição atmosférica em populações urbanas de Inga edulis Mart. (Fabaceae) por meio do método de biomonitoramento passivo. Cadernos de Publicações UNIVAG, 8(1), 85-108.
Climate Data. Clima: Joinville, 2022. Disponível: http://pt.climate-data.org/america-do-sul/brasil/santa-catarina/joinville-4496/. Acesso: 28 ago. 2022.
CONAMA. Conselho nacional do meio ambiente. Ministério do meio ambiente. Resolução n°3 de 28/09/1990, 2022. Disponível: http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/RE0003-280690.PDF. Acesso: 15 ago. 2022.
CETESB. Efeitos da poluição atmosférica na vegetação, 2022. Disponível: https://cetesb.sp.gov.br/solo/efeitos-da-poluicao/. Acesso: 16 ago. 2022.
FAPESP. Poluição do ar afeta o crescimento de árvores em São Paulo, 2019. Disponível: https://agencia.fapesp.br/poluicao-do-ar-afeta-o-crescimento-de-arvores-em-saopaulo/30238/. Acesso: 15 ago. 2022.
Fleck, A. da S., Moresco, M. B., Rhoden, C. R. 2015. Assessing the genotoxicity of traffic-related air pollutants by means of plant biomonitoring in cities of a Brazilian metropolitan area crossed by a major highway. Atmospheric Pollution Research, 7(3), 488–493. https://doi.org/10.1016/j.apr.2015.12.002.
Fox, D.G.,1976. Modeling atmospheric effects: an assessment of the problems. USDA. Forest.
Heerdt, S.T., Melo Jr, J.C.F., 2022. Avaliação do efeito da poluição atmosférica em populações urbanas de Handroanthus chrysotrichus (Mart. ex DC.) Mattos (Bignoniaceae) em Joinville, SC.
Hendry, G.A.F., Price, A.H., 1993. Stress indicators: chlorophylls and carotenoids. In: Hendry, G.A.F.; Grime, J.P. Methods in comparative plant ecology. London: Chapman & Hall,148-152.
Huang, Y., Bao, M., Xiao, J., Qiu, Z., Wu, K., 2019. Effects of PM2. 5 on cardio-pulmonary function injury in open manganese mine workers. International journal of environmental research and public health, 16(11), p.2017.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2022. Disponível: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/sc/joinville.html. Acesso: 28 ago. 2022.
JOINVILLE CIDADE EM DADOS, 2019. Disponível: https://www.joinville.sc.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/Joinville-Cidade-em-Dados-2019-Ambiente-Natural.pdf. Acesso: 15 ago. 2022.
Kelly, F.J., Fussell, J.C., 2015. Air pollution and public health: emerging hazards and improved understanding of risk. Environ Geochem Health, 37, 631–649
Lambers, H., Chapin III, F.S., Pons, T.L. 1998. Plant physiological ecology, 3ed. Springer Verlag, New York.
Locosselli, G. M. et al. The role of air pollution and climate on the growth of urban trees. Science of Total Environment, v.666, p.652-61, 2019.
Melo Júnior, J. C. F., Raimundo C. M., Amorim, M. W., 2014. Efeito da poluição atmosférica em folhas de Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. (Melastomataceae). Acta Biológica Catarinense,1(1), 65-72.
Miller, R.W., 2007. Urban foresty: planning and managing urban greenspaces. 2 ed. Prentice Hall, New Jersey, pp. 502.
Pérez-Harguindeguy, N.; Díaz, S.; Garnier, E.; Lavorel, S.; Poorter, H.; Jaureguiberry, P.; Bret-Harte, M.S.; Cornwell, W.K.; Craine, J.M.; Gurvich, D.E.; Urcelay, C.; Veneklaas, E.J.; Reich, P.B.; Poorter, L.; Wright, I.J.; Ray, P.; Enrico, L.; Pausas, J.G.; De Vos, A.C.; Buchmann, N.; Funes, G.; Quétier, F.; Hodgson, J.G.; Thompson, K.; Morgan, H.D.; Ter Steege, H.; Van der Heijden, M.G.A.; Sack, L.; Blonder, B.; Poschlod, P.; Vaieretti, M.V.; Conti, G.; Staver, A.C.; Aquino, S., Cornelissen, J.H.C., 2013.
REFLORA. Plantas do Brasil: Resgate Histórico e Herbário Virtual para o Conhecimento e Conservação da Flora Brasileira. Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2022. Disponível: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/PrincipalUC/PrincipalUCt/. Acesso: 16 ago. 2022.
Santos, G. S., Santos, M. D., Melo Junior, J. C. F., Chaves, M. B., Mouga, D. M. S., Gumboski, E. L., 2019. Avaliação do potencial bioindicador de Alchornea glandulosa no monitoramento da poluição atmosférica. Acta Biológica Catarinense, 6(1), 93–102.
Santos, M.A D., 2017. Poluição do Meio Ambiente, 1 ed. LTC, Rio de janeiro.
SiBBr. Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira. Disponível: https://sibbr.gov.br/?lang=pt_BR/. Acesso: 16 ago. 2022.
Souza, V.C., Lorenzi, H., 2012. Botânica Sistemática. Guia ilustrado para identificação das famílias de fanerógamas nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG III, 3. ed. Instituto Plantarum, São Paulo.
Souza, M.G. et. al, 2008. Estratégias de utilização de luz e estabilidade do desenvolvimento de plântulas de Cordia superba Cham. (Boraginaceae) crescidas em diferentes ambientes luminosos.
Taiz, L.; Zeiger, E., 2013. Fisiologia vegetal, 5. ed. Artmed, Rio Grande do Sul.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Fábio Voigt Costa, Ana Carenina Gheller Schaidhauer, João Carlos Ferreira Melo Júnior

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






