Padrão temporal de herbivoria e defesas antiherbivoria em população natural de Laguncularia racemosa (Combretaceae) em manguezal predado maciçamente por Hyblaea puera (Lepidoptera)
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.07.p3151-3158Palavras-chave:
ajustes funcionais, histoquímica, interações planta-herbívoro, mangue brancoResumo
Interações entre plantas e animais resultam em uma ampla variedade de adaptações nos indivíduos. Os herbívoros normalmente escolhem as plantas segundo o seu conteúdo nutricional, sendo assim, as alterações na anatomia foliar, bem como na sua composição química afetam diretamente os herbívoros. O objetivo deste trabalho foi investigar, em perspectiva temporal, se houve alterações estruturais e/ou químicas nas folhas de Laguncularia racemosa em resposta ao desfolhamento maciço de um bosque de manguezal causado pelo herbívoro exótico Hyblaea puera. Foram selecionados 10 indivíduos, dos quais foram coletadas, em intervalo de um ano, 25 folhas totalmente expandidas e fixadas nos 3° e 4° nós para a análise de atributos morfoanatômicos e histoquímica. Análise química do solo foi realizada em triplicata. Os dados foram avaliados estatisticamente por meio do teste t de Student e PCA em ambiente R. A PCA do solo evidenciou a diminuição na salinidade inversamente relacionada com o aumento do índice de saturação do Alumínio (H. AL) e da capacidade de troca catiônica do solo (CTC). A PCA mostrou que os três primeiros componentes explicaram 58,15% da variância total de dados analisados, sendo estes respectivamente a massa fresca, área herbivorada e espessura do limbo. Isso foi acompanhado pelo aumento da massa seca foliar, gerando maior resistência à perfuração do limbo, o que resultou na redução de 92,40% da área foliar atacada pela herbivoria. Os testes histoquímicos evidenciaram alteração na produção de composto metabólitos, com diminuição na produção de taninos nos tecidos vasculares, o que possivelmente se justifica pela maior resistência mecânica das folhas. Conclui-se que a herbivoria maciça em L. racemosa foi preditora de ajustes ligados à defesa antiherbivoria de forma a reduzir o impacto negativo em outro evento predatório de sua copa.
Temporal pattern of herbivory and anti-hereditary fenders in the natural population of Laguncularia racemosa (Combretaceae) in mangroves massively predated by exotic herbivore of the species Hyblaea puera (Lepidoptera)
A B S T R A C T
Interactions between plants and animals result in a wide variety of adaptations in individuals. Herbivores typically choose plants according to their nutritional content, so changes in leaf anatomy as well as chemical composition directly affect herbivores. The aim of this work was to investigate, in a temporal perspective, if there were structural and / or chemical alterations in the leaves of Laguncularia racemosa in response to the massive defoliation of a mangrove forest caused by the exotic herbivore Hyblaea puera. Ten individuals were selected, from which 25 fully expanded and fixed at the 3rd and 4th nodes leaves were collected, in a one year interval, for the analysis of morphoanatomic and histochemical attributes. Soil chemical analysis was performed in triplicate. Data were statistically evaluated by Student's t-test and PCA in R environment. Soil PCA showed a decrease in salinity inversely related to an increase in Aluminum saturation index (H. AL) and soil cation exchange capacity (CTC). The PCA showed that the first three components accounted for 58.15% of the total variance of analyzed data, which were fresh mass, herbivorous area and limb thickness respectively. This was accompanied by an increase in leaf dry mass, leading to greater resistance to limb perforation, which resulted in a reduction of 92.40% of the leaf area attacked by herbivory. The histochemical tests showed alteration in the production of compound metabolites, with decrease in the production of tannins in the vascular tissues, which possibly is justified by the greater mechanical resistance of the leaves. It was concluded that the massive herbivory in L. racemosa was a predictor of adjustments related to the antiherbivory defense in order to reduce the negative impact on another predatory event of its crown.
Key-words: functional adjustments, histochemistry; plant-herbivorous interactions; white mangrove.
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