Aplicando Decomposição em Modos Empíricos para Estudar Oscilação em Escala Decenal nos Dados Pluviométricos da Paraíba
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v17.4.p2950-2964Palavras-chave:
Climatologia, Precipitação, Índice Climático, Decomposição em Modos Empíricos, ParaíbaResumo
A decomposição em modos empíricos foi usada para extrair oscilações em escala decenal nos dados de precipitação no Estado da Paraíba e comparar as variações com aquelas presentes nos índices climáticos. O método da decomposição em modos empíricos é considerado uma ferramenta útil na extração de informações fisicamente significativas de sinais não lineares e não estacionárias. Os dados usados foram obtidos a partir de 170 estações distribuídas no território da Paraíba, entre 1948 e 2016, os quais foram tratados para gerar regiões homogêneas de precipitação. As funções de modos intrínsecos referentes as oscilações com períodos de quase 10 anos, presentes nos dados de precipitação, evidenciaram anticorrelações significativas com as oscilações decenais presente no Modo Meridional do Atlântico e ocasionalmente com as do índice Niño 3.4. A pluviometria das regiões da Paraíba também manifestou oscilação de quase 21 anos, a qual também aparece no Modo Meridional do Atlântico, porém não foi observada no índice Niño 3.4. Os residuais indicaram tendência de queda na precipitação das regiões homogêneas para o intervalo de tempo estudado. Com os resultados alcançados através da aplicação da decomposição em modos empíricos, mostraram que as oscilações em escala decenal, presentes na precipitação do Estado da Paraíba e nos índices climáticos analisados, exibiram amplitude e períodos que variam no tempo. Essas variações confirmam que as mudanças na circulação meridional do Atlântico, a qual tem relação com a posição da Zona de Convergência Intertropical, modulam a estação chuvosa do Estado da Paraíba, principalmente das regiões central e oeste do Estado.
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