Índice de Vulnerabilidade Geral para municípios do semiárido brasileiro

Jaricélia Patrícia Oliveira Sena, João Miguel Moraes Neto, Daisy Beserra Lucena

Resumo


Nas últimas décadas, estudos científicos que enfatizam a temática da vulnerabilidade e adaptação à mudança do clima vêm crescendo devido aos impactos de alguns eventos extremos como, chuva em excesso, escassez, ondas de calor afetando diretamente a sociedade humana. Neste contexto, o presente estudo objetivou analisar o Índice de Vulnerabilidade Geral (IVG), que se baseia em indicadores socioeconômicos, epidemiológicos e climáticos, em municípios distribuídos nos estados inseridos na região semiárida brasileira. Neste caso, especificamente, o Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Os dados utilizados para o recorte temporal entre 1995 e 2018 são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Departamento de Informática do SUS (DATASUS) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Em relação aos resultados, eles evidenciam o índice de vulnerabilidade socioeconômica (IVSE) em relação aos demais, destacando as categorias de demografia, educação e saneamento. O município de Campina Grande foi o que apresentou alto índice de vulnerabilidade epidemiológica (IVE), em razão dos altos índices de dengue (0,733), leptospirose (1,000) e esquistossomose (1,000). Já os municípios de Apodi e Cruzeta exibiram alto índice de vulnerabilidade climática (IVC) decorrentes dos elevados números de eventos extremos de chuva.  Ademais, o índice de vulnerabilidade geral (IVG) indicou que as dimensões mais acentuadas para indícios de aumento foram o IVC e o IVSE, com exceção de Campina Grande que apresentou alto IVE.


Palavras-chave


Indicadores; Socioeconômicos; Epidemiológicos; Climáticos

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Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

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