Desvendando o potencial da rochagem com pó de rocha granítica de Capitão Poço, no Nordeste Paraense
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.4.p3269-3281Palavras-chave:
Rochagem, Granito, Amazônia, Mineralogia.Resumo
Na mesorregião do Nordeste Paraense, a baixa fertilidade do solo e os altos custos dos fertilizantes convencionais representam desafios significativos. A rochagem, que envolve a incorporação de rochas moídas ao solo, surge como uma alternativa sustentável. Este estudo concentrou-se na caracterização do pó de rocha granítica da Fazenda Igarapé Grande em Capitão Poço, Pará, conforme as regulamentações da Lei 12.890/2013 e da Instrução Normativa 05/2016 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A granulometria foi avaliada de acordo com as normas da ABNT NBR181/2016 e o pH de abrasão pelo método de Grant. Foram realizadas análises da composição química, incluindo a soma de bases (CaO + MgO + K2O), macronutrientes (P2O5) e micronutrientes (B, Cl, Co, Cu, Fe, Mn, Mo, Ni, Se, Si e Zn), através de Fluorescência de Raios-X. Elementos potencialmente tóxicos, como As, Cd e Pb, foram verificados com um Espectrômetro de Emissão Óptica, enquanto o Hg foi medido por um Analisador Direto de Mercúrio. A concentração de Sílica Livre foi avaliada por Petrografia em Microscópio Óptico. Os resultados mostraram que a amostra atendeu aos critérios para o macronutriente K2O (6,02%) e para os Elementos Potencialmente Tóxicos, apresentando níveis aceitáveis de P2O5 (0,97%), Fe (1,17%) e Si (28,68%). A amostra também atendeu à especificação física "pó". No entanto, não cumpriu plenamente os parâmetros estabelecidos pela IN N° 05/2016 para ser classificada como remineralizador de solo. Mesmo assim, devido ao teor substancial de K2O, este material é promissor para blendagem.
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