Eventos ENOS e Horas de Frio no Sul do Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.07.p5001-5015

Palavras-chave:

El Niño, La Ninã, inverno, frio, frutíferas de clima temperado

Resumo

Embora os efeitos do El Niño Oscilação Sul (ENOS) sobre temperatura do ar tenham sido estabelecidos, poucos são os trabalhos que avaliaram variáveis derivadas, como é o caso das Horas de Frio (HF), parâmetro agrometeorológico fundamental para o cultivo de frutíferas de clima temperado na região Sul do Brasil. Objetivo desse trabalho foi determinar associação das HF (≤ 7,2°C) a eventos ENOS (El Niño, La Niña, neutro) empregando série histórica de longo prazo (1956-2021) de Veranópolis/RS. Por componentes principais foram definidos os meses com maior contribuição na variação das HF e obtidas estatísticas descritivas; e por análise de agrupamentos foram definidos anos semelhantes em termos de HF e ENOS. Resultados indicaram que os meses de maior contribuição na variação interanual das HF são junho-julho-agosto (inverno). A maior parte dos invernos é neutro (60%) sendo a proporção de El Niño (21%) próxima a de La Niña (19%). Médias de HF não diferem entre eventos ENOS, no entanto, a variabilidade interanual é maior em El Niño. São mais frequentes invernos La Niña/El Niño que registram valores de HF acima/abaixo da média. Há associação entre HF e ENOS, sendo possível formar quatro grupos: no de menor média de HF, a maior parte dos invernos é El Niño, enquanto que, no grupo com maior média de HF, houve proporção semelhante de invernos La Niña e neutro. O estabelecimento da associação das HF a eventos ENOS contribui para redução do risco climático e auxilia na tomada de decisão no manejo de frutíferas de clima temperado.

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Biografia do Autor

Denise Cybis Fontana, Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia, Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Curriculo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0938505876010695

Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1985. Obteve o título de Mestre em Fitotecnia em 1987 e de Doutor em Fitotecnia em 1995 pela UFRGS, em sanduíche com a Cranfield University, Inglaterra. Em 2005 realizou estágio pós-doutoral junto a University of Southern Queensland, Austrália. Possui bolsa de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. É professora titular da UFRGS, com forte atuação como orientadora de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado). Tem experiência em ensino e pesquisa na área de agrometeorologia e de sensoriamento remoto, atuando principalmente nos seguintes temas: previsão e monitoramento de safras, modelagem agrometeorológica-espectral do rendimento de culturas, modelagem da evapotranspiração usando imagens orbitais e variabilidade climática associada ao fenômeno El Niño Oscilação Sul. Foi presidente por dois mandatos da Sociedade Brasileira de Agrometeorologia (2013-15 e 2015-17). Atualmente representa a América do Sul junto à Comissão de Agrometeorologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

 

Daniel Santos Grohs, Embrapa Uva e Vinho

Curriculo Lattes:http://lattes.cnpq.br/4943327027674064

Atualmente é analista da EMBRAPA UVA E VINHO na área de produção e certificação de material vegetal propagativo de videira e fruteiras temperadas. Também atua na pesquisa para melhoria dos sistemas de propagação em fruteiras temperadas em viveiros. Têm formação em técnicas estatísticas avançadas com ênfase na modelagem geoestatística e nos métodos da análise multivariada, paramétrica e não-paramétrica. Também desenvolveu atividades na área de Fitopatologia em arroz, com ênfase no desenvolvimento e difusão de práticas para controle de doenças e na área de Fitotecnica de cereais hibernais, com destaque nos estudos da dinâmica do nitrogênio no sistema solo-planta e uso de ferramentas de agricultura de precisão para adubação em taxa variável.

 

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

Heemann Junges, A., Cybis Fontana, D., & Santos Grohs, D. (2025). Eventos ENOS e Horas de Frio no Sul do Brasil. Revista Brasileira De Geografia Física, 18(07), 5001–5015. https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.07.p5001-5015

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