Comerciantes de escravos em Pernambuco (c. 1660 – c. 1760): aproximação a um grupo mercantil colonial

George Felix Cabral de Souza

Resumo


Neste artigo reunimos dados sobre 38 homens de negócio que atuaram no Recife entre c. 1660 e c. 1760 participando do comércio de africanos escravizados. Desse conjunto, damos especial atenção a 15 negociantes identificados em uma lista produzida pelo governador da capitania em 1758. Mediante a análise das atividades desenvolvidas pelos integrantes do grupo e de sua inserção na sociedade local, pretendemos demonstrar que a participação no comércio negreiro era um dos principais dados de diferenciação na trajetória de um homem de negócio que alcançava o topo da hierarquia mercantil no Recife colonial. Os dados da pesquisa foram recolhidos em documentos do Arquivo Histórico Ultramarino, do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e em diversos arquivos locais no Recife.

Palavras-chave


Escravos, Comércio, Comerciantes, Recife

Texto completo:

PDF

Referências


ACIOLI, G., MENZ, M. Resgate e mercadorias: uma análise comparada do tráfico luso-brasileiro de escravos em Angola e na Costa da Mina (Século XVIII). Afro-Ásia. n. 37, 2008, pp. 43-73.

ALENCASTRO, L. F., O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

ALMEIDA, S. C. C. de. Rotas Atlânticas: o comércio de escravos entre Pernambuco e a Costa da Mina (c.1724-c.1752). História. Assis/Franca, v. 37, e2018022, 2018. Available from . access on 22 July 2019. Epub Sep 17, 2018. http://dx.doi.org/10.1590/1980-4369e2018022

ALMEIDA, S. C. C. de, SOUSA, J. R. de. O Comércio de Almas: as rotas entre Pernambuco e costa da África-1774/1787. Revista Ultramares. n. 3, Volume 1, Jan-Jul, 2013, pp. 34-53.

ANDRADE, A. P. de. História e contabilidade - diálogos possíveis: o caso da Companhia Geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba - 1759 - 1775. Recife: UFPE, 2013.

BOXER, Charles R. A idade de ouro do Brasil, dores de crescimento de uma sociedade colonial. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

BRAUDEL, F. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV – XVIII. O jogo das trocas. 2ª edição. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

COSTA, R. P. A ordem de São Bento e os escravos do santo, Pernambuco séculos XVIII e XIX. Tese de Doutorado. Recife: UFPE, 2013.

CURTO, J. C. Vinho verso cachaça: a luta luso-brasileira pelo comércio de álcool e de escravos em Luanda, c. 1648-1703, in: PANTOJA, S., SARAIVA, J. F. S. (Orgs.) Angola e Brasil nas rotas do Atlântico Sul. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999, pp. 69-97.

DIAS, E. S. de A. C. «As pessoas mais distintas em qualidade e negócio»: a Companhia de Comércio e as relações políticas entre Pernambuco e a Coroa no último quartel de Setecentos. Tese de Doutorado. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2014.

FERREIRA, R. Dinâmica do comércio intra-colonial. Geribitas, panos asiáticos e guerra no tráfico angolano de escravos (século XVIII), in FRAGOSO, João, BICALHO, M. F., GOUVÊA, M. de F. (Orgs.). O antigo regime nos trópicos: a dinâmica imperial portuguesa (Séculos XVI – XVIII). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, pp. 339-378.

FLORENTINO, M. Em costas negras: uma história do tráfico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

FRAGOSO, J. L., ALMEIDA, C. M. C. de, SAMPAIO, A. C. J. de (Orgs.). Conquistadores e negociantes: história de elites no Antigo Regime nos trópicos, América lusa, séculos XVI a XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

GODINHO, V. M. A estrutura da antiga sociedade portuguesa. Lisboa: Arcádia, 1971.

HANSON, C. A. Economy and society in baroque Portugal, 1668-1703. Ann Arbor: The University of Minnesota Press, 1981.

KELMER, C. L. M., et ali (Eds.). Ramificações ultramarinas: sociedades comerciais no âmbito do Atlântico luso, século XVIII. Rio de Janeiro: Mauad X, Faperj, 2017.

KÜHN, F. “Clandestino e ilegal: o contrabando de escravos na Colônia do Sacramento (1740-1777)”, in: XAVIER, R. C. L. (Org.). Escravidão e liberdade: temas, problemas e perspectivas de análise. São Paulo: Alameda, 2012, pp. 179-206.

LOPES, G. A. Negócio da Costa da Mina: tabaco, açúcar, ouro e tráfico de escravos – Pernambuco, 1654-1760. Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2008.

LUGAR, C. The merchant community of Salvador. Bahia: 1780-1830. Ann Arbor: UMI, 1980.

MARTINS, J. D. Os mártires pernambucanos, vítimas da liberdade nas duas revoluções ensaiadas em 1710 e 1817. Recife: Tipografia F. C. de Lemos e Silva, 1853.

MARZAHL, P. Creole and government: the Cabildo of Popayán. Hispanic American Historical Review, vol. 54, n. 4, 1974.

MELLO, E. C. de. A fronda dos mazombos. Nobres contra mascates, Pernambuco, 1666-1715. 3ª ed. São Paulo: Editora 34, 2012.

MELLO, E. C. de. O nome e o sangue: uma parábola familiar no Pernambuco Colonial. 2ª ed., Rio de Janeiro: Topbooks, 2000.

MELLO, J. A. G. de. Nobres e mascates na câmara do Recife, 1713-1738. Revista do IAHGP, Recife, vol. LIII, 1981, pp. 113-262.

MELLO, E. C. de. Um mascate e o Recife. 2ª edição. Recife: FCCR, 1981.

MILLER, J. Way of Death: Merchant Capitalism and the Angolan Slave Trade, 1730-1830. Madison: University of Wisconsin Press, 1988.

OLIVAL F. As ordens militares e o Estado moderno: honra, mercê e venalidade em Portugal (1641-1789). Lisboa: Estar, 2001.

PEREIRA DA COSTA, F. A. Anais Pernambucanos. 2ª. ed. Recife: Fundarpe, 1983, v. 8.

RIBEIRO Jr., J. Colonização e monopólio no nordeste brasileiro. 2ª edição. São Paulo: Hucitec, 2004.

RUSSELL-WOOD, A. J. R. Governantes e agentes, In: BETHENCOURT, F., CHAUDHURI, K., (Orgs.). História da Expansão Portuguesa: o Brasil na balança do Império (1697-1808). Lisboa: Temas e Debates, 1998 vol. 3.

SILVA, A. de V. Closing doors (1780-1813): the liquidation process at General Company of Pernambuco and Paraíba. Tese de Doutorado. São Paulo: FEA-USP, 2016.

SILVA, M. B. N. da. Ser nobre na colônia. São Paulo: Editora UNESP, 2005.

SILVA, P. P. da. Homens de negócio e monopólio: interesses e estratégias da elite mercantil recifense na Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba (1757-1780). Dissertação de mestrado. Recife: UFPE, 2014.

SOCOLOW, S. M. Los mercaderes del Buenos Aires virreinal: familia y comercio. Buenos Aires: Ediciones de la Flor, 1991.

SOUZA, G. F. C. de. José Vaz Salgado: negócios, família e poder em Pernambuco no século XVIII. Revista do IAHGP, v. 66, p. 189-206, 2013.

SOUZA, G. F. C. de. Tratos e Mofatras: o grupo mercantil do Recife colonial (c. 1654 – c. 1759). Recife: Editora Universitária da UFPE, 2012.

SOUZA, L. de M. e. O sol e a sombra. Política e administração na América portuguesa do século XVIII. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

STABEN. A. E. Negócio dos escravos: comércio de cativos entre a Costa da Mina e a capitania de Pernambuco (1701-1759). Dissertação de Mestrado. Curitiba: UFPR, 2008.

VELEZ, L. de C. B. Donatários e administração colonial: a capitania de Itamaracá e a Casa de Cascais (1692-1763). Tese de Doutorado. Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2016.

WADSWORTH, J. Agents of Orthodoxy. Honor, status and the Inquisition in colonial Pernambuco, Brazil. Lanham: Rowman & Littlefield Publishers, 2007.




DOI: https://doi.org/10.22264/clio.issn2525-5649.2019.37.2.17

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 .

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

Indexadores:

                    

                                   

 

eISSN: 2525-5649  Av. da Arquitetura, s/n CFCH-10°Andar, CDU - Recife-PE - CEP: 50740-550 Fone:+55(81)2126-8292  editorclio@gmail.com

                                                                                                                                                                         desde 20. Set. 2018  Contador de visitas