v. 37, n. 2 (2019)

Jul-Dez. Dossiê: Escravidão e comércio de escravos através da história.


Capa da revista
Além de antiga, a escravidão é uma das instituições mais resilientes que conhecemos, como bem demonstram os relatórios online da Anti-Slavery Society, sediada em Londres, talvez a ONG humanitária  em atividade  há mais tempo  no  mundo. Já se  falou que  seria superada  por motivos religiosos, e no entanto, é comum escravizar-se gente do mesmo credo. Já se falou que a ética secular a superaria, e no entanto, a guerra e as necessidades do vencedor sempre falaram mais alto. Já se falou que o capitalismo era incompatível com a escravidão, e no entanto na periferia das engrenagens dos  grandes mercados, ela  retorna e  enraíza-se sob  diferentes disfarces.  E  convém lembrar, que mesmo nos centros mais avançados, ela pode ser empregada sob diferentes justificativas, algumas muito apropriadas ao mundo moderno. Na contemporaneidade, multidões de trabalhadores vivem em condições análogas à escravidão, em países onde os direitos civis mais básicos são conquistas centenárias. Pessoas desprotegidas ainda são traficadas como mercadorias.