“São os escritos que têm mais força e vida”: cultura escrita, imagens, circulação de saberes e de artistas nos quinhentos

Fernanda Deminicis de Albuquerque

Resumo


O presente artigo se debruça sobre o ambiente intelectual do século XVI, objetivando examinar algumas das relações estabelecidas entre as culturas escrita e imagética, bem como a circulação que essas culturas puderam alcançar. Procura-se ainda analisar as possibilidades e finalidades de escritos produzidos por artistas, de modo que seja possível uma reflexão sobre a posição que ocupavam nas cortes e suas estratégias de ascensão social, que visavam a desvinculá-los dos estigmas decorrentes do trabalho manual. Por fim, o texto procura, a partir da perspectiva historiográfica de mundialização, contribuir para a discussão da circulação de agentes na Europa dos quinhentos.


Palavras-chave


Cultura Escrita, Circulação de Ideias, Artistas, Mobilidade Social

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, José da Felicidade. Introdução ao estudo da obra de Francisco de Holanda. Lisboa: Livros Horizonte, 1986.

BARBIER, Frédéric. A Europa de Gutenberg: o livro e a invenção da modernidade ocidental (séculos XIII-XVI). São Paulo: Edusp, 2018.

BLOCH, Marc. Apologia da história, ou, O ofício de historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BOUZA, Fernando. De Escribano a la biblioteca. La civilización escrita europea en la alta Edad Moderna (siglos XV-XVII). Madrid: Akal, 2018.

BRAUDEL, Fernand. O modelo italiano. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

BUCAILLE, Richard e PESEZ, Jean-Marie. “Cultura Material” in RUGGIERO, Romano. (dir.) Enciclopédia Einaudi. Vol 16. Homo-Domesticação. Cultura Material. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1989, pp. 11-16.

BURKE, Peter. “Como interrogar a los testemonios visuales”, in PALOS, Joan Lluís (org.). La historia imaginada. Construcciones del passado en la Edad Moderna. Madrid: CEEH, 2008, pp. 29-40.

BYINGTON, Elisa. “A perfeita regra da arte: regra, ordem, medida, desenho e maneira”, in BYINGTON, Elisa (org.). Giorgio Vasari: a invenção do artista moderno: 500 anos. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2012.

CARDIM, Pedro. O Poder dos Afectos. Ordem amorosa e dinâmica política no Portugal do Antigo Regime. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa (tese de doutoramento), 2000.

CASTIGLIONE, Baldassare. O Cortesão. São Paulo: Martins Fontes, 1997 [1527].

CENNINI, Cennino. Il libro dell’arte. Vicenza: Neri Pozza, 2019 [1437].

CHARTIER, Roger. “Construção do Estado moderno e formas culturais. Perspectivas e questões”, in CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. 2ª Ed. Tradução de Maria Manuela Galhardo. Lisboa: Difel, 2002, p. 215-229.

DESWARTE-ROSA, Sylvie. “Francisco de Holanda et Le Greco: coïncidences et divergences”, in HADJINICOLAOU, Nicos & IOANNOU, Panayotis K. (org.). Perceptions of El Greco in 2014. Athens: Benaki Museum, 2019, pp. 403-422.

FERRO, Sérgio. Artes plásticas e trabalho livre: de Dürer a Velázquez. São Paulo: Editora 34, 2015.

GINZBURG, Carlo. “O nome e o como: troca desigual e mercado historiográfico”. In GINZBURG, Carlo. A micro-história e outros ensaios. Lisboa: Difel, 1991, pp. 172-174.

GRUZINSKI, Serge. O historiador, o macaco e a centaura: a "história cultural" no novo milênio. In Estud. av. [online]. 2003, vol.17, n. 49.

HOLANDA, Francisco. Da Pintura Antiga. Lisboa: Imprensa nacional – Casa da Moeda, 1983 [1548].

HOLANDA, Francisco de. Do tirar pelo natural. Campinas: Editora Unicamp, 2013 [1549].

LE GOFF, Jacques. “O tempo de trabalho na ‘crise’ do século XIV: do tempo medieval ao tempo moderno”, in LE GOFF, Jacques. Para um novo conceito de Idade Média. Tempo, trabalho e cultura no Ocidente. Lisboa: Estampa, 1993, pp. 61-74.

LONG, Pamela O. Objects of Art/Objects of Nature: visual representation and the investigation of nature. In SMITH, Pamela H. & FINDLEN, Paula (org.). Merchants and Marvels: commerce, science, and art in early modern Europe. London: Routledge, 2002, pp. 63-82.

NICHOLS, Tom. Renaissance Art in Venice: from tradition to individualism. London: Laurence King Publishing, 2016.

RAMINELLI, Ronald. “Da controversa nobilitação de índios e pretos, 1630-1730”. In FRAGOSO, João & GOUVÊA, Fátima (orgs.). O Brasil Colonial. Vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014.

RIPA, Cesare. Iconologia. Siena: Matteo Florimi, 1613.

SCHNAPPER, Antoine. Le métier de peintre au Grand Siècle. Paris: Gallimard, 2004.

SENNETT, Richard. O Artífice. Rio de Janeiro: Record, 2013.

SUBRAHMANYAM, Sanjay. “Connected Histories: Notes towards a Reconfiguration of Early Modern Eurasia”. In Modern Asian Studies, Vol. 31, No. 3, Special Issue: The Eurasian Context of the Early Modern History of Mainland South East Asia, 1400-1800. (Jul., 1997).

VASARI, Giorgio. Vidas dos artistas. São Paulo: Martins Fontes, 2011 [1550].




DOI: https://doi.org/10.22264/clio.issn2525-5649.2020.38.2.02

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 .

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

Indexadores:

                    

                                   

 

eISSN: 2525-5649  Av. da Arquitetura, s/n CFCH-10°Andar, CDU - Recife-PE - CEP: 50740-550 Fone:+55(81)2126-8292  editorclio@gmail.com

                                                                                                                                                                         desde 20. Set. 2018  Contador de visitas