SEDIMENTOLOGIA DO TESTEMUNHO ANP 1285 - TALUDE CONTINENTAL DE LUÍS CORREIA, PIAUÍ

Jeziel Lopes, Jéssica Lins, George Freire

Resumo


Há uma escassez de estudos sedimentológicos acerca do talude continental de Luís Correia, em virtude da dificuldade de acesso e do custo para realização de coletas nesta região. O presente artigo enfoca o talude continental de Luís Correia, com a finalidade de caracterizar sua sedimentologia, visando contribuir para o conhecimento sedimentológico desta região. O estudo foi realizado através de um testemunho (ANP 1285) cedido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) o qual foi coletado em frente ao litoral de Luís Correia, estado do Piauí, distando cerca de 111 km da linha de costa, a uma profundidade de 2505 m. O testemunho é composto predominantemente por silte, onde do topo até a base tem-se uma variação na coloração. Pode-se observar uma porção oxidada na transição topo-meio, sugerindo uma influência da sedimentação terrígena. Possui uma média de 93% de carbonato de cálcio, sendo classificado como vasa calcárea, este alto teor reflete um ambiente de baixa influência continental. Há predominância de foraminíferos planctônicos em relação aos bentônicos, onde a partir desta razão planctônicos/bentônicos pode-se classificar a região como talude continental inferior. Os grãos de quartzo não possuem sinais de retrabalhamento, pois apresentam-se bastante angulosos, marcando a influência continental na área, onde estes possivelmente alcançaram o talude por meio de fluxo gravitacional. As análises químicas indicam sedimentos com alto teor de matéria orgânica e baixo teor de nitrogênio, este último com grandes variações ao longo do testemunho. Portanto, é proposto um ambiente de mar profundo com pouca influência continental, onde esta influência é marcada pelos grãos de quartzo e pela porção oxidada. Não foi possível identificar ciclos de transgressão ou regressão, para isto necessita-se de estudos mais detalhados na região.

Palavras-chave


Talude Continental Inferior, Testemunho, Silte, Foraminíferos, Fluxo Gravitacional

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DOI: https://doi.org/10.18190/1980-8208/estudosgeologicos.v27n2p69-81

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