Nanofósseis calcários do Maastrichtiano superior ao Daniano do poço Poty, bacia Paraíba, nordeste do Brasil.

Autores

  • Geize Carolinne Correia Andrade Universidade Federal de Pernambuco
  • Paulo César Galm Unidade de Negócios de Exploração e Produção de Sergipe e Alagoas
  • Mário Ferreira de Lima Filho Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

nanofósseis calcários, Poço Poty, bioestratigrafia, retrabalhamento, limite Cretáceo-Terciário

Resumo

Este trabalho apresenta um estudo de identifi cação e bioestratigrafi a de nanofósseis calcários das formações Gramame e Maria Farinha no Poço Poty, localizado na Bacia da Paraíba. Foram analisadas 104 amostras, as quais estavam compreendidas entre 0,2 a 45 metros de profundidade. Foram descritas 95 espécies, pertencentes a 32 gêneros, no Maastrichtiano Superior e outras 23, pertencentes a 13 gêneros, no Daniano. Foram observados casos de retrabalhamento de Uniplanarius sissinghii e Tranolithus orionatus no Maastrichtiano Superior e Watznaueria barnesae no Daniano. Dentre as espécies encontradas no Daniano, destacou-se a presença de Neobiscutum romeinii, nanofóssil até então não identificado em trabalhos anteriores relacionados à passagem Cretáceo-Terciário na área estudada. A datação bioestratigráfi ca para o Maastrichtiano Superior foi baseada em Sissingh (1977) pela presença da Micula prinsii. Para o Daniano, os nanofósseis Markalius inversus e Cruciplacolithus primus foram determinantes para a biozona CP1a de Okada e Bukry (1980), qual corresponde cronoestratigrafi camente com a NP1 de Martini (1971). O limite Cretáceo-Terciário, neste poço, foi caracterizado na profundidade de 13,8m, entre as formações Gramame e Maria Farinha, como foi proposto por Albertão et al. (1994).

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Publicado

2010-07-01

Como Citar

Carolinne Correia Andrade, G., César Galm, P., & Ferreira de Lima Filho, M. (2010). Nanofósseis calcários do Maastrichtiano superior ao Daniano do poço Poty, bacia Paraíba, nordeste do Brasil. Estudos Geológicos, 20(2), 65–80. Recuperado de https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosgeologicos/article/view/260781

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