Idade e litogeoquímica do metagranitoide Caldeirão Vermelho (Parnamirim-PE), Zona Transversal, Província Borborema.
Mots-clés :
Magmatismo Brasiliano, Geologia Isotópica, geocronologia, U-Pb, LAM-ICP-MS, LitogeoquímicaRésumé
O Metagranitoide Caldeirão Vermelho (MCV) localiza-se ao sul da cidade de Parnamirim, no sertão do Estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Constitui-se principalmente por um extenso corpo e estreitas lentes alongadas na direção E-W. O MCV é intrusivo em rochas supracrustais tonianas do Complexo Salgueiro. O corpo principal é cartografado como uma dobra fechada reclinada. Geotectonicamente se insere na Faixa Alto Pajeú da Zona Transversal na Província Borborema, a norte da Zona de Cisalhamento Pernambuco e a sudeste da Zona de Cisalhamento Parnamirim, na proximidade da confluência entre elas e fortemente influenciado pelas mesmas. As rochas MCV possuem composição granítica, granodiorítica a tonalítica, por vezes constituindo augen-gnaisses e apresentando bandamento marcado pela alternância de concentrações de minerais félsicos (quartzo, plagioclásio e microclina) e minerais máficos (biotita, clorita e anfibólio). O MCV esteve submetido a um grau metamórfico em condições P/T da fácies xisto verde. Em termos litogeoquímicos as amostras do MCV classificam-se como rochas fracamente peraluminosas (ISA=1-1,1), com teores elevados de SiO2 e teor médio de 15% de Al2O3. As amostras do MCV apresentam características mais compatíveis como rochas calcioalcalinas de alto potássio. Nos diagramas multi-elementares as amostras do MCV mostram assinaturas condizentes com granitóides calcioalcalinos gerados em ambientes de subducção. Nos diagramas classificatórios de ambiência tectônica as amostras do MCV plotam como granitóides de arco vulcânico a sin-colisionais. Datação U-Pb por LAM-MC-ICP-MS em uma amostra do metagranito produziu duas populações bem definidas de zircão. A primeira mostra um arranjo linear em diagrama concórdia, com um intercepto superior de 2.622+15 Ma, representando possíveis zircões herdados por fusão de material mais antigo. A segunda população apresenta-se aproximadamente concordante com uma idade calculada de 611+14 Ma (MSWD=2,5 e 95% de confiabilidade), a qual é interpretada como a idade de cristalização/geração do MCV. Esta idade é consistente com aquelas publicadas para granitos (ortognaisses) sin-tectônicos à Orogênese Brasiliana-Panafricana na Província Borborema. Obteve-se uma idade modelo TDM de 2082 Ma em uma amostra com εNd(611 Ma) de -19,73. Os resultados apontam como fonte geradora do MCV uma origem principalmente infracrustal gerada por reciclagem orogênica.
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