DO CORPO E DO VÍRUS: um breve ensaio não original

Cristiano Bedin da Costa

Resumo


O ensaio discute a relação entre corpo, vírus e docência em meio ao parar pandêmico relativo ao Sars-CoV-2. Escrito por meio de seleção, recorte e montagem de fragmentos de leitura, este texto assume a apropriação como artifício de criação. A partir da noção de “gênio não original”, de Marjorie Perloff, defende um estilo de pensamento pautado pela pesquisa e manipulação transcriadora de textos em circulação. Nomes como Paul Valéry, Roland Barthes, Gonçalo Tavares, Walter Benjamin, Paul B. Preciado, Gilles Deleuze, bell hooks, Byung-Chul Han, entre outros, são mobilizados a fim de sustentar a hipótese de um cuidado de si imanente a uma erótica textual, desde que leitura e escrita sejam vividas como práticas correlacionadas de viver-junto. As discussões encaminham-se para a defesa de um potencial pedagógico inerente ao isolamento social, na medida em que estabelece um estado real de impossibilidade, do qual devém a necessidade de criar outro campo de possíveis. A perspectiva adotada é a de um professor que, devendo esperar, traça para si um espaço-tempo íntimo e citacional de trabalho e autoatualização.


Palavras-chave


Corpo; Vírus; Docência; Gênio não original; Esgotamento

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Referências


O primeiro parágrafo deste exercício é extraído do texto “Saco plástico na cabeça: a gambiarra na pandemia” (Sabrina Sedlmayer), publicado pela coleção Pandemia crítica, organizada pela n-1 edições. Da mesma coleção, apropriei, desloquei e montei fragmentos dos textos: “Nossa humanidade” (João Perci Schiavon); “Para uma libertação do tempo. Reflexão sobre a saída do tempo vazio” (Antonin Wiser); “Os afetos na pandemia: algumas considerações filosóficas e psicanalíticas” (Iasmin Martins); “Movimento na pausa” (André Lepecki); “Posfácio a ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak” (Eduardo Viveiros de Castro); “Um mundo em suspensão: des-globalização e reinvenção” (John Rajchman); “Coexistência e co-imunismo” (Sam Mickey); “O preço das coisas sem preço” (David Le Breton); “A palavra enquanto” (Helga Fernández, Victoria Larrosa, Macarena Trigo); “Rumos da universidade pública” (Colegiado do Bacharelado em História - Memória e Imagem, da Univ. Federal do Paraná); “Coronavida: o pós-pandêmico é agora” (Giselle Beiguelman); “Quando estamos separados, não estamos sozinhos” (Fred Moten e Stefano Harney); “Traços humanos nas superfícies do mundo” (Judith Butler); “Contingência, solidão, interrupção: ideias isoladas sobre um tempo com o qual não contávamos” (Eduardo Pellejero); “O vírus é uma força anárquica de metamorfose” (Emanuele Coccia); “Aprendendo do vírus” (Paul Preciado); “Monólogo do vírus: eu vim parar a máquina cujo freio de emergência vocês não estavam encontrando” (https://lundi.am/Monologo-do-virus).

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