A crença na imagem e a reorientação da história através de sua representação

Rodrigo Almeida

Resumo


No embate entre verdade e realidade, entre real e ficcional, entre formas de representação e formas de vida, o presente artigo delineia os descaminhos de uma crença na imagem e um contexto inseparável entre imaginário histórico e imaginário estético para analisar o filme O Ato de Matar (Reino Unido / Dinamarca / Noruega, 2012), de Joshua Oppenheimer. Observa-se na obra como o repertório audiovisual, a recuperação mnemônica e a encenação ficcional se misturam numa provocação narrativa do documentarista com seus documentados. Para além de um acerto de contas com o inimigo, com torturadores responsáveis pela morte de milhares de pessoas, com um trauma nacional na Indonésia, a produção desenha relações de inocência, consciência e inteligência entre indivíduos e imagens, instituindo uma história que só pode ser restituída, repensada, reivindicada através de sua própria representação.


Palavras-chave


Imagem; História; Cinema; Representação; O Ato de Matar

Texto completo:

PDF

Referências


ARISTÓTELES. A Poética. São Paulo: Martin Claret, 2006.

AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas: Papirus Editora, 1993.

BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e Simulação. Santa Maria da Feira: Relógio D’Água, 1991.

BENJAMIN, Walter. O anjo da história. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.

CAPELATO, Maria Helena e outros. (Orgs.). História e cinema: dimensões históricas do audiovisual. São Paulo: Alameda, 2007.

CHARTIER, Roger. A história ou a leitura do tempo; tradução de Cristina Antunes. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2016.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Quando as imagens tocam o real. Belo Horizonte: Revista Pós, n. 4, p. 204 - 219, nov. 2012.

DOCTORS, Márcio. (Org.). Tempo dos tempos. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003.

FLUSSER, Vilém. Pós-história. Vinte instantâneos e um modo de usar. São Paulo: Annablume, 2011.

HAGEMEYER, Rafael Rosa. História & Audiovisual. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012

JUNIOR, Luiz Soares. O ato de Matar. Revista Cinética, 2013. Disponível em: Acesso em 30 jul. 2018.

LEANDRO, ANITA. Da imagem pedagógica à pedagogia da imagem. Comunicação e educação, São Paulo, n. 21, p. 29-36, maio/agosto, 2001.

MONDAZIN, Mária José. Imagem, sujeito, poder. Entrevista com Mondzain. 2008. Disponível em: https://cultureinjection.wordpress.com/2014/03/28/entrevista-com-marie-jose-mondzain/

OPPENHEIMER, Joshua. An Update from Joshua Oppenheimer. POV, 2014. Disponível em: Acesso em 15 de ago. 2018.

OSTERHELD, Hector G.; LOPEZ, Solano. El Eternauta. Versión original. Buenos Aires,1957-1959 / 2001.

ROSENSTONE, Robert. História nos filmes / Filmes na história. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

VIRILIO, Paul. Guerra e Cinema. São Paulo: Boitempo Editora, 2005.

WHITE, Hayden. Meta-história. A imaginacão histórica do século XIX. São Paulo, EDUSP, 1995.

______________Ficción histórica, historia ficcional y realidad histórica. 1ª Ed. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2010.




DOI: https://doi.org/10.34176/icone.v16i2.238008

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Sem derivações 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons

A Revista Ícone está sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial CC BY-NC 4.0.

Classificação de Periódicos 2013-2016, CAPES: B4 (Comunicação e Informação)

ISSN 2175-215X

© 1996-2019 Revista Ícone
Programa de Pós-Graduação em Comunicação, UFPE
Av. da Arquitetura, s/n – Cidade Universitária
CEP 50.740-550 Recife (PE), Brasil