A quem serve uma tese? Artesanias (trans)metodológicas na pesquisa em educação
DOI:
https://doi.org/10.51359/2525-7668.2023.258797Palavras-chave:
esquizoespiritualidades, pesquisa em educação, método decolonialResumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre as esquizoespiritualidades como eixo de gravidade para repensar e redimensionar a pesquisa em educação. A partir de uma perspectiva decolonial, questiona-se a quem serve uma tese quando atravessamos a cena colonial e se tensiona um modo metodológico capaz de se implicar com as vidas que são inferiorizadas. Para isso, apresenta-se o corpo e suas sensações como elemento central do testemunho enquanto método de pesquisa em educação e se revisa uma discussão sobre o método na pesquisa em educação a partir de lentes decoloniais. O artigo defende que as esquizoespiritualidades nos levam a redescobrir nossas raízes históricas mais profundas e a cocriar novas possibilidades de sujeitos, mundos e educação que fogem de realidades nas quais a vida se tornou dispensável. Assim, a luta é pedagógica e permite a emergência de outros paradigmas sobre a ciência em que seu valor reside na virtude da justiça.
Referências
ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. Coleção Polêmicas do Nosso Tempo. São Paulo: Editora Cortez, 1984.
BÂ, Amadou Hampaté. A noção de pessoa na África Negra. Tradução para uso didático de Luiza Silva Porto Ramos e Kelvlin Ferreira Medeiros. In: DIETERLEN, Germaine (ed.). La notion de personne en Afrique Noire. Paris: CNRS, 1981.
BORDA, Orlando Fals. Una sociología sentipensante para América Latina. Buenos Aires: CLACSO, 2015.
BRASIL. Coronavírus. Covid-19: painel de controle. 2022. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/. Acesso em 06 de maio de 2022.
BUCKSDRICKER, Jorge Alberto Silva. Racionalidade e método científico: novas perspectivas. Dissertação. 140 f. Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2004.
CASTRO, Eduardo Viveiros de. A Inconstância da Alma Selvagem e Outros Ensaios de Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.
CASTRO, Viveiros de. Prefácio: o recado da mata. In: KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A Queda do Céu: palavras de um xamã yanomami. Tradução Beatriz Perrone-Moisés. 1a ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
DI MELO. A vida em seus métodos diz calma. São Paulo: Discogs: 1997. LP (3:45).
DUSSEL, Enrique. Filosofia na América Latina: filosofia da libertação. São Paulo: Loyola, 1977.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Tradução de José Laurênio de Melo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira S.A., 1968.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008.
FERRER, Jorge N. Participation and the mystery: Transpersonal essays in psychology, education, and religion. New York: State University of New York, 2017.
FREITAS, Raquel Coelho de. Indignação e conhecimento: para sentir-pensar o direito das minorias. Fortaleza: Edições UFC, 2020.
GALEFFI, Dante. O rigor nas pesquisas qualitativas: uma abordagem fenomenológica em chave transdisciplinar. In: MACEDO, Roberto Sidnei; GALEFFI, Dante; PIMENTEL, Álamo. Um rigor outro: sobre a questão da qualidade na pesquisa qualitativa. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 13-73.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 92, n. 93, 1988.
GROSFOGUEl, Ramón. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Traduzido por Fernanda Miguens, Maurício Barros de Castro e Rafael Maieiro. Sociedade e Estado [online], v. 31, n. 1, 2016.
GUIMARÃES, Samuel Novaes. Obaluaê, o médico entre os orixás. Artigo. 11f. Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2017.
KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A Queda do Céu: palavras de um xamã yanomami. Tradução Beatriz Perrone-Moisés. 1a ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
LUEDJI LUNA. Eu sou um corpo. São Paulo: YBmusic: 2017. Streaming (6:26).
LORDE, Audre. Irmã outsider: Ensaios e conferências. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.
MACEDO, Roberto Sidnei. Outras luzes: um rigor intercrítico para uma etnopesquisa política. In: MACEDO, Roberto Sidnei; GALEFFI, Dante; PIMENTEL, Álamo. Um rigor outro: sobre a questão da qualidade na pesquisa qualitativa. Salvador: EDUFBA, 2009. p. 75-126.
MALDONADO-TORRES, Nelson. Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões básicas. In: BERNADINO-COSTA, Joaze; MALDONADO-TORRES, Nelson; GROSFOGUEL, Ramon. Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2018. p. 31-61.
MENDES, Tarcísio Moreira. Esquizoeducação II aplicada à educação: performance e contracolonialismo. 2021. 330 f. Tese. Doutorado em Educação – Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. Arte e Ensaios. N. 32, dezembro de 2016.
MIGNOLO, Walter. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 32, n. 94, jun. 2017.
MIGNOLO, Walter. Desobediencia epistémica: retórica de la modernidad, lógica de la colonialidad y gramática de la descolonialidad. Buenos Aires: Del Signo, 2010.
OUR WORLD DATA. Coronavirus (COVID-19) Vaccinations. 2022. Disponível em: https://ourworldindata.org/covid-vaccinations?country=OWID_WRL. Acesso em 06 de maio de 2022.
RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2019
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para uma pedagogia do conflito. In: SILVA, Luiz Heron; AZEVEDO, José Clóvis de; SANTOS, Edmilson Santos dos. Novos mapas culturais, novas perspectivas educacionais. Porto Alegre, 1996. p. 15-33.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2008.
SANTOS, Milton. O Lugar: Encontrando o Futuro. 1999.
SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2018.
SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Flecha no tempo. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2019.
SIQUEIRA, Izaquiel Arruda. Educação, pensamento e neoliberalismo: reflexões arendtianas sobre a(s) crise(s) na educação escolar. Dissertação. 100f. Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019.
SZCZEPANIK, Gilmar. A concepção de método científico para Mario Bunge. Revista Guairacá, v. 27, n. 1, p. 9-30, 2011.
WALSH, Catherine. Interculturalidade e decolonialidade do poder um pensamento e posicionamento “outro” a partir da diferença colonial. Revista Eletrônica da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas, Pelotas-RS, v. 5, n. 1, p. 6-39, 2019.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Aurino Lima Ferreira, José Diêgo Leite Santana

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
1. Proposta de Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença CreativeCommons Atribuição 4.0
Internacional (texto da Licença:https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista. - Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).