Saberes populares e indígenas e suas lutas afirmativas: uma perspectiva de Educação em Direitos Humanos

Everaldo FERNANDES, Celma TAVARES

Resumo


O presente estudo objetiva estabelecer um diálogo aproximativo entre a epistemologia dos saberes populares, os saberes tradicionais indígenas e a educação em Direitos Humanos. Nesse diálogo situamos as especificidades, os nuances e organização própria de cada modo aprendente/ensinante na tentativa de perceber o que há de latente nos conteúdos e perspectivas dos Direitos Humanos nas respectivas leituras de mundo e da palavra. Nessa compreensão, estabelecemos o diálogo entre essas leituras de mundo das tradições popular e indígena (indígenas de Pernambuco), evidenciando os valores axiológicos tradicionais, e o que eles anunciam e denunciam das formalidades ideologizadas acerca da declaração dos Direitos Humanos. Nessa direção, esse diálogo contribui com as possíveis revisões dos conteúdos e formas das vivências da educação em Direitos Humanos. Para tanto, servimo-nos da abordagem das Epistemologias do Sul, sobremaneira, das contribuições de Boaventura de Sousa Santos, Paulo Freire, Ivone Gebara, Saberes do Povo Kambiwá, Susana Sacavino e Ana Maria Rodino. Concluímos que esse diálogo muito enriquece não só as discussões da educação em Direitos Humanos, mas também amplia o exercício das leituras Interculturais na perspectiva ético-política.

 

Saberes Populares. Saberes Indígenas. Educação em Direitos Humanos.

 

Peoples’ and Indigenous’ knowledge and their affirmative fights: a perspective of Education in Human Rights

 

ABSTRACT

The present study aims to establish a closer dialogue between the epistemology of the people knowledge, the traditional indigenous knowledge and the Human Rights education. In this dialogue, we set the specificities, the nuances and proper organization of each manner of learning/teaching in the attempt of realizing what is latent in the contents and perspectives of Human Rights in the respective reading the world and the word. In this comprehension, we establish the dialogue between these readings of world of the people’s and indigenous’ traditions (indigenous of Pernambuco), pointing the axiological traditional values and what they announce and denounce in the ideologized formalities about the Human Rights declaration. In this direction, this dialogue contributes with the possible contents revision and means of the experiences of education in Human Rights. Therefore, we serve of the South Epistemologies approach, especially, in the contributions of Boaventura de Sousa Santos, Paulo Freire, Ivone Gebara, the knowledge of the Kambiwá People, Susana Sacavino and Ana Maria Rodino. Concluding that this dialogue enriches not only the discussions about education in Human Rights, but also extends the exercise of intercultural readings in the ethic-political perspective.

 

Peoples’ Knowledge. Indigenous Knowledge. Human Rights Education.


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DOI: https://doi.org/10.33052/inter.v4i7.238199

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